
Foi no
dia 20 de Setembro que nasceu
Antonio Costa Pinto, o tio
Antonio. Sem dúvida alguma foi uma das pessoas mais singulares que já conheci. E, (querem saber?) acredito que vocês concordarão comigo.
A frase acima era dita por ele sempre que queria nos levar para o Play Center ou para um tour de conhecimento ou de reconhecimento no local onde morava. Nunca o percebi com preguiça, cansado ou seja lá o que for que o impedisse de agir assim. Foi dessa maneira que conheci, especialmente Itajaí (e adjacências) e Feira de Santana, especialmente.

Era
impressionante como conhecia cada fábrica, cada industria, cada clube, cada mercado; ia nos contando o que sabia sobre esses locais dando nomes, além de dar sempre
diretrizes de como facilmente
voltarmos para casa.
Hoje, adulta, percebo melhor o que significava tudo isso: uma forma de nos educar. Sim, afinal o que fazia nada mais era do que uma forma de nos situar no local, de mostrar como, no caso de nos perder, voltar para casa.
Que coisa legal! Agora realizei que foi dessa maneira que conheci e andava em Feira (pelo menos até a década de 90) com segurança pois até aonde era seu escritório, meus irmãos e eu, sabíamos.
Agora, infelizmente não tenho mais noção onde está o sul, o norte, nada mais por lá. Em maio, quando lá estivemos, só uns poucos locais reconheci e, entre eles alguns eram os marcos que meu tio nos havia mostrado. Impressionante. Se tivesse sido largada em qualquer lugar dos dias atuais estaria rodando, até agora, nos locais que meu tio nós mostrava com uma paciência de fazer inveja a qualquer Jó.
Tio Antonio, não há dúvida foi marcante. Lembro-me perfeitamente dos almoços ao meio dia, cumpridos a risca, pois a pontualidade também era uma de suas características.
Ontem foi um dia no qual falamos muito dele, lembramos de episódios que só puderam deixar lembranças por que Tio Antonio nos deu oportunidade de vive-los. Minha mãe, por exemplo, lembrou-se do dia em que ele e minha tia, passando em casa a caminho de Itajai (como sempre fazia por onde passasse e houvesse parente), percebeu o profundo cansaço que nossa mãe vivia, e perguntou-lhe se não queria ir com eles para o sul e descansar. Comentou com meu pai e os dois a convenceram. Toda vez que menciona esse episódio reafirma ter sido uma das melhores viagens feitas. Tio Antonio fazia questão de deixá-la descansando chegando a ponto de não dar tempo dela querer algo pois sempre se adiantava.
Descansou como poucas vezes naquele viagem e até hoje é muito grata por isso. Relembrou também o dia em que ele foi almoçar em casa pois estava trabalhando próximo e, ao se deparar com o rosbife que ela havia feito ficou tão surpreso que disse: "Espera aí pouco, comadre, mas algo assim só pode ser saboreado com um vinho". Saiu e em minutos voltou com uma garrafa de bom vinho para acompanhar o almoço. Com atitudes como essa, tão simples, fez a ela um dos maiores elogios que alguém pode dar para uma dona de casa.
Na verdade recordo-me que esse era um comportamento típico dele para com todos que encontrasse, fosse onde fosse, mesmo em sua casa ou viajando com ele. Tive oportunidade de vivenciar isso muitas vezes.
Com ele nunca deixei de fazer algo que para qualquer criança ou adolescente, de qualquer época, é tudo de bom: Ir ao encontro de sorvetes! Ah! Não sei como ele sabia onde encontrar os mais deliciosos. E tem mais, por suas mãos descobri os pastéis do Mercado Municipal de Paraisópolis. Não dá para descrever esses encontros, só dá para recordá-los e sorrir, além de babar , é claro!
Perguntei para a Wanilda o que ela aprendeu com o tio Antonio e prontamente me respondeu com essas palavras: "Aprendi com o Tio Antonio: Dar carona e descascar laranjas - dá um prazer danado." Confesso que a principio achei sua resposta estranha... Mas ela me falou, "você não lembra, Wania, como ele descascava as laranjas para nós? Que perfeição! Descascava de um jeito tal que ficavam tão bonitas e apetitosas que não dava para dizer não. Nunca reclamou, ao contrario, sempre oferecia mais uma". Até hoje, Wanilda sempre pensa nele quando descasca laranjas para seus filhos ou quem quer que seja.
Um fato que acompanhei e participei foi o desejo que Wanilda tinha de que ele e tia Waldeneuza fossem padrinhos de seu casamento. Ficou triste mas compreendeu quando não puderam vir.
Na volta da viagem a Itajai com minha mãe, parou em casa para deixá-la, descansar um pouco e continuar viagem. E Wanilda que lá estava falou pra ele: "Poxa, tio, queria tanto que vocês abençoassem minha casa e vocês vão embora sem conhecê-la?" Imediatamente ele mudou de ideia dizendo que continuaria a viagem no dia seguinte.
Lembro-me da felicidade dessa minha irmã ao mostrar seu "apartamentinho" de casada e das palavras incentivadoras que ele e minha tia deram para ela e o Alvaro, além de suas bençãos.
Naquela noite, mesmo cansado, tendo de re-estruturar sua viagem após chegar de Santa Catarina, meu tio e minha tia mudaram seus planos para jantar uma bela macarronada e fazer mais uma vez uma sobrinha feliz.
Sinto falta dele!
Parabéns, tio, pelo seu aniversário onde quer que esteja.
Sua benção.