Estou fazendo um esforço tremendo para não abandonar esse projeto, ou seja, fazer um blog. Tenho vivido tantas coisas complicadas que acabo por me sentir desmotivada. Não com o blog especificamente mas sim com minhas circunstâncias, como diria Ortega y Garcet "Eu sou eu e minhas circunstâncias".
Creio que estou sendo mais minhas circunstâncias do que eu mesma. Não gosto, mas vivo.
Entre uma coisa e outra me veio a cabeça uma afirmação de meu pai sobre a diferença que há entre as pessoas de Minas, de São Paulo e do Rio de Janeiro, no que diz respeito a dar informações. Não me lembro exatamente o que ele dizia mas me recordo da afirmação de que paulista não gosta de dar informações; o carioca não vê problemas em explicar detalhes para dar a informação; e o mineiro leva ao destino que é sempre pertim. Acho que era isso...
Mas por que digo isso? É por que nos últimos 20 dias precisei de muita informação para chegar em diversos locais. Por principio detesto pedir informação sobre ruas, bairros o que quer que seja a pessoas paradas nas ruas, mas há momentos que o GPS não resolve e muito menos os mapas que imprimimos para chegar ao destino. Minha mãe acha que isso resolve todos os problemas, mas eu sempre penso que a pessoa vai fazer caras e bocas ou que falará de um jeito que dará vontade de rir ou então falará tão rápido que você só se lembrará do primeiro "vire aqui". Se tenho de pedir informações peço quando estou sozinha pois tenho mais controle da situação. Diante desse fato me perco a beça.
Quando jovem me perdia em qualquer lugar de São Paulo e acabava na Casa Verde. Nunca entendi isso em mim. Quem resolveu meu problema foi o André: " Ah! Que bom, Wania. Na Casa verde é só procurar a placa do Anhembi e lá chegando você sabe voltar para casa". E assim fiz e faço até hoje.
Ontem foi mais um dia desses. Precisava ir do dentista para Cotia (cidade próxima de São Paulo, para quem não sabe) para comprar lenha. Imprimi o tal mapa pois não tenho GPS. E já sai de casa sabendo que não seria fácil.
Não deu outra. Chegar no km 24 e meio e retornar para pegar a tal avenida foi bico. Pronto, pensei vai começar a maratona: entrei num posto e perguntei onde ficava a tal rua em questão. Caminhou em minha direção um frentista resoluto e disse-me: Vá para a Raposo novamente; passou a primeira passarela entre na primeira a direita e depois na primeira direita outra vez, é lá. Foi tão contundente que fiquei desconfiadíssima. Fiz o que ele disse e quando vi estava na tal rua que até placa tinha.
O que será que faz alguém ser tão taxativo, sintético e certeiro? Queria ser assim na vida...
Na semana passada a caminho do Fórum de Pinheiros me perdi graças a uma dessas pessoas que ao perguntarmos algo se aproxima coçando a cabeça torcendo a boca e falando lentamente: o foooruuum? O fooruum! Dá meia volta e pergunta para outra pessoa mais distante se sabe "do Fórum"; o outro, mais lentamente ainda se aproxima fazendo gestos como se a pergunta fosse sobre metafísica, abaixa e pergunta se é sobre o Fórum que quero saber? Nesse momento minha vontade é de fazer algo que não sei bem o que é mas não é coisa boa. Respiro e digo que sim. Aí ele começa a dar ordens: A senhora entra aqui a direita e na terceira esquerda não entra, mas é uma rotatória, a senhora tem que ir em diante e não a esquerda, tá me entendendo? Sim, respondo. E ele continua, depois virá mais uma rotátoria e aí entra a direita vai em frente passa um, passa dois, no terceiro farol a senhora para e pergunta pois tá perto.
Agradecida externamente e xingando internamente faço o que ele diz, só que onde mandou-me parar não passava ninguém a pé...
Será que isso só acontece comigo?
