Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.
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18 de abr. de 2011

A importância de se sentar no chão.

Sem duvida alguma uma das atividades mais saborosas que existe é sentar no chão. Comecei a observar tal coisa quando a dificuldade se apresentou uns anos atrás.

Muitos anos atrás sentava muito no chão. Sentava para ouvir as prosas dos parentes mais velhos que invariavelmente sentavam-se em cadeiras e nos sofás da vida; sentava para contar estórias para meus alunos, sentava para brincar como criança e com crianças, sentava para cantar nas serestas e serenatas, sentava no chão para esperar pais ou tios que iriam nos buscar no final das festas, sentava para papear, ler, ouvir, etc.

Comecei a perceber que estava envelhecendo quando a dificuldade para sentar no chão e, especialmente, ao levantar passou a ser atrós.

Creio sem chance de errar que quem me trouxe essa consciência foi a minha afilhada-sobrinha Sophia. That`s incredable! Como um ser tão pequeno com tão pouca idade nos põe sentada, de quatro e se bobear tentando virar cambalhota?

Para alcançarmos as crianças é necessário um boa dose de senta-levanta, sobe-desce e muita argumentação para provar que "eu-não-vou-caber-aí", meu bem!

Nesse ultimo final de semana fomos fazer uma atividade diferente. Fomos a Livraria Cultura, um dos meus lugares preferidos em São Paulo. Nessa livraria há eventos interessantissimos para adultos e crianças. Fomos ouvir estórias contadas sobre sonhos, sobre milho, sobre lagartas.

Tinhamos de sentar num quadradão roxo e Sophia não só queria que sentassemos mas como também queria sentar em meu colo formado por pernas cruzadas. Até aí tudo bem, gostoso, alegre e bem animado. O problema foi quando tudo acabou e todos levantaram-se rapidamente para buscar novas atividades, inclusive a Sophia que já fora do quadrado me chamava: vem Dinda, vem... E eu disfarçando tantando levantar sem fazer feio nem perder a elegância carregando duas bolsas e uma tacinha com chocolate, apavorada diante da perspectiva dela correr pelos labirintos de um grande dinossauro da loja.

Quando olhei para atrás percebi que eu era a ultima a sair do quadradão e cabisbaixa fui em direção da minha Sophia que falou rapidamente senta aqui Dinda... O `aqui` era um pé redondo-abaulado-estreito-amarelo "tisgo" de uma mesa para brincar com Lego e que sem duvida alguma foi concebido para bumbuns de até 5 anos. 

Foi uma lição e tanto a que eu vivi. Tentar levantar daquele pé foi algo que transcende qualquer raciocinio lógico. Mas vou dizer uma coisa para vocês: Se precisar e a Sophia quiser vou sentar com ela onde essa coisa fofa desejar. É mais valioso que a maior parte das coisas da vividas. êta nóis!

Com tantos pedófilos soltos me sinto absolutamente a vontade para proteger minha queridinha. Daí o rosto desfocado.





4 de jan. de 2010

O barro

Às vezes me bate uma saudade tão grande, tão intensa do que vivemos lá atrás. Não saudade do tempo que já passou não; é saudade da experiência vivida, tal e qual aconteceu. Experiências que contribuíram e muito para minha formação como pessoa, como ser humano que gosta de ajudar e que muitas vezes se torna desagradável na insistência.
Essa desgraça toda que esta acontecendo no vale do Capivari, no Vale do Paraíba, em Angra (Não há aqui nenhuma desconsideração com o pessoal que lá esta sofrendo tanto hoje, pelo amor de Deus. Tive a Graça de não viver isso, mas posso avaliar o quanto esta sendo sofrido para todos. Acreditem todo o nosso clã esta ao lado de vocês) e em tantos locais familiares para mim repentinamente me mostrou algo que já havia pensado anteriormente, mas não da forma como agora estou vendo: O barro!
O barro foi uma argamassa que nos ajudou muito. Nos ajudou na união, nos ajudou a compartilhar risos e lagrimas(desculpem o clichê), pois em determinados momentos, quando verificávamos que estávamos no atoleiro mais uma vez e que era necessária uma ação grupal dava vontade de chorar, pois antecipávamos o que iríamos viver. Perdi a conta da quantidade de barro que já enfrentei. Havia barro mole, barro duro, pseudo barro –nas noites chuvosas- e que nos impediam de distinguir alho de bugalho, barro com pedra, sem pedra, liso feito quiabo o que gerava risadas gloriosas e um dos mais temidos barrão vermelho e água bem na subida de um dos morros. Eita nós!
Dá ré, Wania. Mais, mais, mais. Agora vá com tudo e não para! E se por acaso o carro deixava a desejar naquela valsa no meio do morro lá vinha o berro: Não força, para. Espera a gente chegar. Vamos pensar. Pensávamos tanto que poderíamos fazer um tratado.
Corta o capim aí na beira, ô fulano... Tem jornal no carro? Mas que m...! Outra vez deixamos pra trás? Não acredito...Havia alguns que eram um pouco sem  ´pacença`, como diria o Waltinho, e respondia a famosa questão: Como vou cortar? com um bem claro: Com os dentes, ara!

Tudo bem! Vamos lá. Fulana você senta na frente do carro, consegue se segurar? E vc também só que é do outro lado; quando o carro começar a sair vê se consegue fazer a frente balançar. E alguém gritava: São crianças... e outro respondia: de 14 anos. Vamos lá pessoal vamos empurrar daqui. Wania pisa devagar em segunda, certo? Certo. Um, dois, três, JÁÁ! E em uníssono conseguíamos muitas vezes desatolar ou andar só um tiquinho para mudar a estratégia.
 O mais engraçado é que sempre havia um que ficava bem atrás da roda traseira e acabava indignado comigo, com o carro, com a vida, com a viagem, com quem teve a idéia de ir pra roça,  e por aí vai... B...! Olha só minha camiseta (ou camisa) Pô! estava limpinha. Só mais tarde iria perceber que a sobrancelha, o ouvido, a testa também estariam imundas.
Engraçado como várias frases surgem com uma clareza medonha em minha cabeça. Coisas como: Paraaa perdi o sapato. Enquanto alguns exclamavam: Sapato? Ou: Ei pessoal, me ajude, atolei. E aquela de sempre: Alguém viu minha carteira? Também não esqueço as criticas a quem era um tanto fora de esquadro no momento: Sai daí, jacu. Daqui pouco o carro esbarra ´nocê` tantã, e já tô vendo tudo, vai parar lá na casa da tia Susana.
Como tenho saudade. Não havia diferença de idade, de gênero, todos éramos responsáveis por tirar o carro dali. E, todos juntos, não só conseguíamos tirar o carro dali, mas como também após o banho gostoso, juntos comíamos o mexido de farinha de milho com ovos da Rosa com café e percebíamos que apenas teríamos força para rir de alguma coisa e dormir o sono dos justos.
Era bom demais!