Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.
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18 de mai. de 2010

Quem me dera

 Quem me dera ter ficado ausente por motivo de viagem.
Lagoinha Do Leste - Santa CatarinaQuem me dera ter caminhado por uma praia tranquila sem nem ter de correr para fugir de ondas atrevidas e muito menos preocupada com a bola que surge a nossa frente como se fosse um ovni ensandecido; como seria bom não ouvir sons humanos, não ter de partilhar o silêncio, e muito menos me preocupar com possíveis errantes atrás, na frente, em cima ou embaixo de mim.

Desfrutar da segurança de um caminhar tranquilo sem pensar em calorias, hipertensão, tonus muscular, dores e afins. Como teria sido bom não pensar  em nada; fosse para carregar minha identidade, dinheirim qualquer, cartãozim-malditim ou o intruso-celular. Não ter de dar satisfação e sim só senti-la.

Quem me dera ter ficado ausente por um motivo simples como passear e investigar os becos e vielas de Cobblestone Alley ou ouvir alguem contar sua historia num banco de praça de um lugar qualquer.

Ao invés disso corri. Corri contra uma cobrança absurda e injusta, corri atrás de advogado, corri para fazer a renovação da carteira nacional de habilitação, corri para cumprir meu papel de pesquisada (cobaia) sobre a saude do trabalhador, corri para desfazer-me de meu carro, corri aos bancos para pedir copias de recibos, corri para o forum...corri até ter cãimbras nos pés que me impediram de dormir durante a noite. Corri, corri, corri

Ah! Como detesto correr.

3 de jul. de 2009

24 de fevereiro

Sem fazer nada enquanto aguardava “meu trabalho” chegar e tendo em minha cabeça o fato de não ter escrito duas coisas de fundamental importância antes de continuar o blog dos parentes, fiquei a deriva um bom tempo até que resolvi fazer um levantamento: saber o que tinha acontecido no dia 24 de fevereiro. Minha pesquisa, graças a um site que contém datas e mais datas foi até 24 de fevereiro de 1463, quando nasceu Giovanni Pico della Mirandola. Pensei com meus botões: opa! Nada como um filósofo para começar.

Afora cientistas-médicos, cinco religiosos de destaque e dois economistas; descobri que uma quantidade enorme de artistas havia nascido nessa data: pintores, escritores, atores, atrizes, cineastas e toda gama de músicos, de compositores a cantores de barítonos a sopranos. Também nasceram cinco atletas – nenhum do futebol – um sujeito importante do mundo da informática, Steven Paul Jobs (Apple) e três coisas importantíssimas: a) Promulgação da Constituição brasileira em 24/02/1891; b) Getúlio Vargas publica o novo código eleitoral - voto secreto e o direito de voto para mulheres - em 24/02/1932; e c) em 24/02/1933 o Eclipse Solar. Mas, o mais importante para mim e minha família aconteceu 42 anos após aquele eclipse, mais exatamente em 24 de fevereiro de 1975, segunda-feira. A lua estava quase completamente redonda como uma bola (só ficaria totalmente cheia na quarta-feira). Em Itajubá, sul de Minas, nasceu a Lydiane, a nossa Ly. Penso que meus pais e irmãos concordariam comigo se afirmasse que foi um dos acontecimentos mais marcante para nós. É interessante como alguns fatos transformam nossas vidas para sempre num simples olhar. Com 15 dias de nascida travamos contato e isso permanece até hoje. Foi um dos bebês mais lindos que tivemos a oportunidade de conhecer. Sorriso lindo (até hoje), cativante, quietinha, uma bonequinha. Essa bonequinha nos ensinou tanto, nos enriqueceu tanto que não há maneira de mensurar isso. Muito inteligente e curiosa tudo queria saber mesmo quando não nos perguntava, pensava, pensava e após algum tempo revelava a conclusão com uma segurança lapidar. Uma vez, saindo da fazenda de volta para casa, na primeira curva nos falou com muita seriedade (só faltou o: Eureca!): “Já sei por que aqui na fazenda o leite sai da vaca.” Parei o carro de imediato, viramos (mamãe e eu) e perguntei o porquê. Ela muito feliz, disse: “Por que aqui não tem supermercado!” Voltei a dirigir pensando onde havíamos falhado na educação da criança. Numa outra ocasião, ainda com uns quatro, cinco anos, atendeu ao telefone e escreveu algo. Depois, saltitante, veio dizer que o moço ligou e era para ligar para aquele numero. Desculpem-me, mas essa eu devo demonstrar: No papel estava escrito olhamos e perguntamos que numero é esse Ly? E ela respondeu? “meia” e saiu saltitante. Aliás, não me lembro dela andando e sim saltitando, correndo ou fazendo estrelas enquanto conversava e a gente algumas vezes indo ao banheiro de tanto enjoo. Acho que o que mais ouviu na primeira infância foi “Sossega Ly”. Várias vezes ela nos deixou com cara de interrogação e sem fala. Daí reconhecermos que não era falha na educação e sim característica dela mesma, uma das tantas que têm. Quando íamos para a fazenda o tio Libaldo sempre dizia: ”... chegou a menininha fuçadeira”. E fuçava mesmo, não adiantava falar que isso era feio, que não se deve fazer, pois continuava fuçando. A algo a seu favor, nunca fugia da situação quando era encontrada fuçando, apenas olhava intrigada com os tesouros encontrados. Até hoje age assim e talvez seja desses tesouros encontrados que tenha nascido um de seus talentos: É capaz de ver tudo o que quer para uma festa, por exemplo, sem falar com ninguém sobre o assunto. Ela enxerga criativamente do banheiro ao cantinho X, com riqueza de detalhes e isso é tão forte nela que às vezes imagino que ela acredita piamente estarmos participando de sua cabeça, pois repentinamente é capaz de nos dizer: “Não! Não é assim, poxa! Como você não entendeu ainda.” Fica brava com todos nós fazendo-nos crer que somos muito lerdos. É óbvio que isso já foi e continuará a ser motivo de muitos conflitos, mas fazer o que? Nós a amamos muito desse jeitinho mesmo. Nos últimos anos tenho notado que quando falamos algo e ela não responde é sinal que está em algum lugar criando alguma coisa e que não adianta perder latim, grego ou sânscrito. Uma pena ela manter tudo na cabeça bem guardado. A Ly falava muito e cantava. Como cantava. Em inglês, espanhol, italiano, francês com certa resistência e até arranhava um árabe. Gosta muito de musica e graças a Deus, tornou-se eclética em seu gosto pessoal. Duro foi a fase do “I Will Always Love You”, da Whitney Houston, meu Deus do céu como demorou para passar aquela fase da: And I... will always love you...., algo que soava mais ou menos assim andaaiiaaaaaaaaawillaaaaaallwayslooooooveyyyouuuuuuuuuuuuuuu. Nós nos perguntávamos quando um outro filme iria surgir e dominar a histérica da Whitney Houston... E eles foram chegando um após outro e a gente aprendendo uma porção de músicas que muitas vezes já eram velhas conhecidas. Ah! Tadinha, como sofreu na morte do bom moço Kurt Cobain (fase Seattle) e como foi apaixonada pelo Jon Bon Jovi (fase New Jersey) e como nos deixou loucos com Michael Jackson (fase Los Angeles) que graças ao show assistido no Morumbi, descobriu Carmina Burana de Carl Off. Acho que se juntar tudo que tinha do Michael, daria uma boa grana. E assim foi passando pela Madona, grupos que eu juraria ter pertencido a outra década etc e tal. Esses músicas ajudaram a ter o excelente inglês que tem. Tem bom ouvido apesar de algumas vezes parecer surda (fase criativa ou ensimesmada). É muito inteligente e tem muito bom gosto pois escolheu como marido o Luis Carlos, nosso cunhado querido, que até teve uma certa participação na criação da Sophia que quer queiram ou não é o revival da Ly com um ano e meio. Há uma diferença: A Ly era mais, digamos, comportada. Hihihi! Amamos muito nossa pequenina que vê em nós , seus irmãos, segurança, carinho e dedicação, tenho certeza disso. E na nossa mamãe e no nosso pai viu e vê o verdadeiro amor dos pais que chegam a dar uma passadinha na 25 de março, a caminho da fazenda com tio Libaldo a bordo, só para comprar um casaquinho e deixar lá em Paraibuna durante uma festa num arraiá e acabaram carregando ela e casaquinho e tudo mais tocando para a fazenda... E depois São Paulo. Amamos essa guria. Ela sabe. Tem valores, princípios, iguais aos nossos e sabe reconhecer os fatos como se apresentam com uma coragem que poucos sabem, penso que até ela mesma não sabe disso. Além do mais poucos são capazes de fazer o que ela faz por nós. E uma coisa exemplar: é de uma fidelidade canina, acreditem. Amamos você e sua segurança em ser uma Almeida Oliveira legítima. O STF que diga se não, não é? Vai uma palinha para você se divertir um pouco.

O André faz questão que as fotos anexas sejam colocadas. Se não me falha a memória, nesse dia especial (fotos abaixo com papai e Hugo) estavamos num cerimonial de despedida dele do exército quando recebeu medalha de Honra ao Mérito e tudo. Bonita festa. Aí estão as fotos: Espero que fiquem legais pois são raras.

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