Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.
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10 de set. de 2015

Uma curiosidade de nosso blog: Se ouvir vai saber

Flavia, minha prima filha de tia Wayne, irmã de minha mãe, nos presenteia com esse pequenino post:

Um momento muuuito diferente estou vivendo:
meu Querido Marido Jose Carlos está viajando,
minhas filhas trabalhando, uma em Curitiba e outra em SP,
minha secretária doméstica de férias...
Peculiar
E fui almoçar panquecas feitas por Renata - muito gostosa - e escutei mais histórias de minha mãe:
Lembrou que Tia Waldete - já viúva do tio Walter, ficava passando roupas, a Vó Hilda costurando e também escutando a Rádio de Juiz de Fora onde Tio Adenir trabalhava e mandava, todos os dias, um "boa noite Waldete".
Histórias....

É assim em nossa familia quando nos dispomos a ouvir sempre temos algo a mais para dizer.
Obrigada, Flavinha


Como podem observar uma mesa é muito importante para nós

29 de ago. de 2015

Término da revolução de 32 e nosso avô libertado



Lá pras bandas de outubro de 1932 meu avô foi libertado da prisão. Minha avó Hilda catou seus filhos da época, um carro de boi e tocaram lá para o Capivari na fazenda da Tia Bem. Não sabe porque cargas d'água nosso avô sairia por ali para voltar pra fazenda dele, afinal mamãe estava com 6 para 7 anos.
Esta bem nítido na cabeça dela que na volta eles precisavam passar em todas as fazendas para cumprimentar os parentes. A cada fazenda que chegavam impressionava a limpeza das casas, das roupas brancas de doer os olhos nos varais, com chão brilhando preparada para receber o Dito do Ananias. Meu avô descia e contava tudo que havia acontecido, respondia perguntas e mais perguntas, comiam, despediam e partiam.

Deve ter sido um viajão.

Ao chegar na Fazenda do Tio Américo, irmão de nosso bisavó, algo insólito aconteceu que deixa até hoje minha mãe intrigada: Ele estava sentado olhando pela janela pasmaaado (esses `as` são a ênfase de minha mãe) e lá fora, no curral estava a mulher dele andando de um lado para o outro sem parar. Mamãe disse-me que pensou que aquilo era esquisito mas não falou nada, afinal naquela época criança não fazia perguntas. Falou que viu um dos filhos ir até o curral e chamá-la dizendo que o Dito do Ananias estava ali e que ela deu de ombro e continuou a andança.
Perguntei se por acaso alguém havia morrido e minha mãe disse: “ Sei lá , minha filha. Devia ser loucura mansa mas na época deviam pensar que era normal” Ou seja, conjecturas do futuro no almoço de sábado.

Numa das fazendas que pararam minha mãe ficou absolutamente encantada com um galinho garnisé e pediu para o vovô de presente. Em seguida ela lembra da minha avó falando que não, que iria misturar com as galinhas grandes, que daria trabalho, etc e tal. Ela contou-me que só queria saber do galinho que era uma belezim. Um dos primos acabou pegando o dito cujo e deu pra ela. Ficou todas feliz.
Mal sabia o trabalho que esse galinho iria dar na viagem especialmente quando resolvia sair subindo pelo corpo dela até a cabeça para fugir e o povo1 a pegar. Foi um trabalhão mas ela adorou. Acho que a viagem foi mais rápida.

Ela lembra ainda que num determinado momento sentiu sede e que pediu água e a vovó ficou brava pois tinha acabado de sair da casa da avó Laura. Mas não é que na beira da estrada deram uma caneca tão suja que ela olhava a caneca e a água e não sabia o que fazer. Resolveu pela técnica de fingir que bebeu um pouquinho e devolveu agradecida e foi até a fazenda ouvindo minha avó falando do problema...
Ah! O que aconteceu com o galinho? Perguntei e ela me que nao sabe...

1Já disse anteriormente que POVO na minha família são mais de duas pessoas.

7 de ago. de 2012

A incrível história do ralo que sumiu

Já devo ter dito isso em algum momento e não vejo razão para não repetir: As vezes em nossas vidas acontece cada coisa que no minimo causa grande estranhamento. Foi o que aconteceu aqui em casa ontem. O caso em questão merece registro daí eu prescindir de falar da tia Marocas e comentar esse pois vou esquecer como tantos outros já se foram.

Não sei na vida das pessoas acontecem cenas inconfessáveis tais como escovar os dentes, bochechar a água, abrir a gaveta e cuspir tudo lá dentro... Ou então perder o bombril recém comprado que de repente aparece dentro da geladeira e por aí vai...

Faz anos a Ly implica com nossos ralos aqui em casa. (Ly para quem não sabe é minha irmã caçula). Temos medo de que entrem baratas nojentas, então colocamos sobre eles, quando não estão em uso, um saquinho plastico assim como quem não quer nada. Pois ela acha um absurdo, afinal de contas é antiestético e antiético (como diz meu eletricista). Sem dúvida é muito deselegante, mas fazer o que, não é? E ela respondia: comprar um que  gire e feche, ora bolas!

O tempo foi passando e ela reclamando até que há duas semanas atrás apareceu aqui com os ralos modernos, brilhantes e novinhos em folha, que comprou e nos deu. Seu maridão de bom grado limpou o local e  os colocou nos lugares, lindos e formosos. Devo dizer que nossa casa ficou mais bonita com os ralos hi-tech. É muito legal rodar com o pé a bolinha simpática em cima deles e girar ao nosso bel prazer (termo antigo, heim? )

Bom, nesse final de semana aconteceu algo estranho. A Ly foi dar um banho na Teresa e ao invés de armar a banheira resolveu colocá-la no chão do box da nossa mãe, ou seja, em cima do ralo. Não quis ajuda, portanto não sabíamos o que ela tinha feito lá no banheiro. É importante frisar isso pois vocês verão como podemos dar um nó no cérebro chegando a difamar as pessoas.

Após o banho arrumou a criancinha, esvaziou a banheirinha, deu papinha para o bebê e partiram todos para seu lar.

Fomos dormir e ao acordar ontem minha mãe me diz: Minha filha o ralo sumiu! Quem me conhece bem sabe como sou de manhã, principalmente ao receber notícias desse mote. Hã? O que mãe? Que ralo? - O ralo do meu banheiro ele não está lá. - Como não está lá, mãe? - Não está. Ontem quando fui deitar vi que não estava lá. - Ah! Vai ver ficou grudado na banheira pois a Ly deu banho na Teteca com a banheira  no chão, disse eu numa tentativa vã de solucionar o problema.-  Não está. Já olhei e a Maria também.
Não é possível! deve estar por ali mesmo - e fui tomar café. 

Maria subia e descia escada e a cada hora me dizia, Wania, não achei o ralo. Já procurei atrás do vaso , na pia, atrás da banheira e embaixo, já vi 3 vezes. Não encontro. Lá da sala a mãe me disse: Minha filha, será que a Ly colocou no bolso? - Mãe, que raio a Ly iria fazer com ralo no bolso? Sei lá, minha filha, está todo  mundo com a cabeça quente... É, pensei, nisso ela tem razão as vezes fazemos cada coisa....

Ligo para minha irmã e não consigo falar com ela. Tudo isso já próximo do meio dia. Daqui a pouco retornou a ligação e fiz então a já famosa pergunta: Ly, cade o ralo? - Que ralo, Wania? O ralo do banheiro da mamãe. - UAI, eu não peguei ralo nenhum! - A mamãe quer saber se você não pôs o ralo sem querer no bolso. - EU, Wania? O que eu iria fazer com um ralo no bolso? - Sei lá! Só sei que o povo está procurando o ralo e não acha(na minha família mais de uma pessoa é povo, gente). - Pois eu não peguei, vai ver ficou preso na banheira... - Já procuramos e nada!!! - Meu Deus do céu será que estou ficando doida, Wania? - Não sei Ly, só sei que ela e a Maria não param de falar do ralo. Vamos fazer o seguinte: vou procurar em outros banheiros pra ver se não foram parar lá rodando ou coisa assim, disse eu sem a menor segurança. Deixei a Ly insegura e aparvalhada com a situação e comecei eu a procurar o ralo também.

Subi para o andar de cima com minha mãe e a primeira coisa que fiz foi entrar no banheiro dela. Olhei espantada para o chão e vi, com os olhos que essa terra há de comer O RALO, em seu devido lugar, corretamente instalado. Me virei e falei - mãe, o ralo está aqui, quem achou? - Ela disse eu não achei; Maria você achou o ralo aonde? Não achei, Dona Waldete. E ai percebi tudo o ralo sempre estivera ali. Elas estavam chamando de ralo a latinha que fecha os buraquinhos do ralo. Chegaram a levantar o ralo para procurá-lo, não é coisa de doido? Bem ,dizem os antigos: O lugar mais escuro é embaixo da luz.

Pois é, meus queridos. O mais dificil foi ligar para a Ly a noite e contar-lhe o episódio inteiro e ainda ouvir da parte dela não só uma gargalhada mas como também um desabafo: Wania, passei a tarde toda pensando onde eu enfiei o ralo!

2 de out. de 2011

Ariano Suassuna, minha mãe e eu

Na quinta-feira passada, dia 29 de setembro, em comemoração ao dia dos professores, fomos minha mãe e eu assistir uma aula-espetáculo do prof. Ariano Suassuna.

Como não poderia deixar de ser saimos de lá leves por conta das risadas impagáveis e mais densas com o aprendizado adquirido.

Minha mãe num lance de ousadia raro foi até o palco agradecer e tirar uma foto que me recuso a colocar aqui de tão mal que foi tirada graças a essa escriba que vos fala, como diria meu amado.

Hoje para minha surpresa recebi o mailing  do SinproSp e lá estava uma entrevista com o Ariano sobre ser professor. Mas o que mais me encantou foi ver minha mãe em destaque dando uma gargalhada que vale a pena ver, além de ouvir o professor. É uma gargalhada de quem se sente viva aos 85 anos e 11 meses, que viveu muitas histórias porém consegue se deliciar com novos momentos.

Um beijo aos meus parentes queridos que em pequenos detalhes mostram por que existem.

28 de out. de 2010

Hoje é dia do aniversário de minha mãe.

Essa é minha mãe. Bela mesmo depois de um tombo no ultimo dia 10/10/10
Sim. Hoje ela esta fazendo 85 anos. Segundo consta e eu confirmo tenho uma das mães mais bonitas do mundo. Desde a hora que nasceu até a velhice, hoje e, além disso, é lúcida e inteligente.
Minha mãe sempre foi bonita, elegante, educada, finíssima, discreta e presente. É incapaz de fazer mal a quem quer que seja. Se o fez algum dia foi à revelia. Sua vida até hoje daria, efetivamente, um livro e tanto. Sua biografia é exemplar e, curiosamente, daria um bom livro de autoajuda pois é factível.
Factível. Foi assim até hoje.
Não gosta de falar dela própria para ninguém e muito raramente a vemos reclamar ou pedir qualquer coisa. tem um controle sobre si mesma invejável. As vezes me pergunto se isso não é inumano e me respondo prontamente que não. Moro com ela e vivo diariamente sua humanidade. Vejo como se preocupa com todos que bem ou mal façam parte de sua história de vida (estejam próximos ou não). Procura fazer tudo que pode para nos agradar. É a única pessoa que conheço que cumprimenta todas as pessoas pelo seu aniversário. Não me refiro aos irmãos, cunhados etc e tal, não. refiro-me ao bananeiro, sapateiro, empregados, vizinhos, pedreiros, filhos do jardineiro e por aí vai. Quando não consegue falar com alguém em seu aniversário fica indócil e fala o tempo todo "não consegui cumprimentar fulano"... É incapaz de dizer não, seja para fazer uma barra de calça ou um prato que apreciamos, mesmo estando um pouco esquecida após 3 derrames.
Assim como suas irmãs e irmãos sempre foi independente e autonoma e só em caso de doença e acamada é que se nega a fazer alguma coisa, mesmo assim, em todos os momentos, agracia as pessoas com suas rezas.
Minha mãe é católica na verdadeira acepção da palavra e reza pelas pessoas com firmeza todos os dias. E o curioso é que chega a rezar por inimigos e até por uma "moça de vida alegre" como dizia meu pai que acabou com um casamento de 5 meses. Meu irmão diz que é muito comum esse tipo de moça em congressos e afins caçando uma boa presa. As vezes fico indignada com essa oração feita por ela mas sempre me diz: Minha filha, rezo para que ela seja feliz pois assim sendo deixará ele em paz! pode? Essa é minha mãe.
Para nós, filhos, talvez seja com muito esforço que lembremos de suas broncas e de correções em relação as nossas travessuras e falta de educação pois não deixaram marcas, traumas, etc, mas sem dúvida lembramos de sua coerencia, sua firmeza em nos educar, sua preocupação em nos tornar melhores; seu otimismo, seus exemplos de vida em situações dificicííílimas (como vi e ouvi a Magali de Maurício de Souza dizer num desenho). Se não vejamos:
Casou-se aos 18 e poucos anos. Ficou viúva após 6 meses de casada e gravida de 1 mes e pouco. O filho nasceu com microcefalia numa época em que o delicado era dizer "seu filho é débil mental" e a senhora terá de ter muita paciencia. Fico imaginando se esse ser humano que disse isso para ela ainda esta viva e se teve a metade da paciencia que orientou minha mãe para ter (que ela tem até hoje). Ouviu isso na Pestalozzi que a época estava sendo implantada no Rio de Janeiro a mais de 60 anos atrás. Casou-se com meu pai que antes de ser meu pai foi cunhado dela durante 8 anos. Era o irmão caçula de seu primeiro marido. Enfrentou a rejeição de minha avó paterna que se sentia ofendida com o casamento deles pois era uma ofensa a memória do falecido. Viveu mais de 50 anos de casada com meu pai e sempre esteve ao seu lado fosse no período de enriquecimento como no posterior empobrecimento, quando faliu. Sem entrar em mais detalhes enfrentou a doença de meu pai que foi operado 14 vezes e internado 17 até viver a dor mais pungente que um ser humano pode viver que que é a perda de um filho, a morte de um dos meus irmãos, o Waltinho. Foi e é difícil. Para completar, um ano depois, meu pai morreu.
Há muitos detalhes vividos por nossa mãe que prefiro manter entre nós filhos pois são tesouros incalculáveis que iremos transmitir para nossas crianças, egoísticamente.
Tenho um orgulho e uma amor incomensuráveis pela minha mãe e acredito que meus irmãos, seus netos, assim como seus afilhados e sobrinhos tenham.
Sabem de uma coisa? É muito bom ter uma mãe assim.

8 de jan. de 2010

A mamãe, eu, os Brandão e os almoços

Já não é de hoje que peço a minha mãe que relate o que ela se lembra dos Brandão (o lado da nossa avó Hilda, the star). Há muito a ser lembrado e exposto mas é importante ir "devagar com o andor pois o santo é de barro". Não quero que ela misture fatos e dados, então é necessário esperar ela parar de rir primeiro para depois ir contando as histórias vividas entremeadas de novas risadas. Sem querer ela escolheu o almoço para contar o que lembra  A Maria e eu ficamos aguardando com paciência (com medo que engasge) para no final rirmos também.

Ontem ela contou de uma festa de 25 anos de casado (acredito que seja de avó Dito e avó Hilda). Baixou o mundo em Paraiso como só poderia ser. Tia Jenny (sabiam que o nome se escreve assim? Até hoje acho estranho) foi a encarregada de ver lugar para o povo todo. Foi um tal de colocar fulano num quarto , beltrano em outra casa, sicrano sabe-se Deus onde  só sabe dizer que foi uma trabalheira danada a que a tia assumiu, até que, perplexa, notou que não tinha sobrado lugar para ela... E toca a rir enquanto a Maria e eu perguntamos: Coitada, mas onde ela dormiu, então?
E da-lhe risada! Até que ao final e ao cabo descobrimos que ela dormiu em cima da mesa na sala de jantar... Quer mais? Isso é que é hostess, fala a verdade.

Hoje, quando sentei a mesa para o almoço ela já estava rindo... Que foi, mãe? perguntei. Estava aqui lembrando do dia que viajei de trem com tia Marocas (Maria Brandão) para Belo Horizonte para encontrar tia Filinha (Ormila Brandão) e voltar  para casa. Não houve meio de saber o que elas foram fazer em Belô além de pegar tia Filinha.

Segundo ela, lembra-se bem do tio Lincoln a toda hora dizendo: Não põe o braço para fora, Waldete. E ela, não entendia o que ele tentava dizer. Para fora de onde? Demorou um tanto para que pudesse entender...

Mas, enfim, o auge foi a volta.  Fiquei imaginando a cena e deu para ver claramente a situação. Ao chegarem na estação havia um trem parado e tia Marocas decidiu que era aquele o trem para Paraiso , entraram, sentaram e partiram. Quando o (branco!!!!...não me lembro como se chamava o senhor que vinha verificar as passagens) moço ao pegar as passageens disse que estavam enganadas, pois o trem onde estavam ia no sentido contrario ao que pretendiam ir. Nessa hora a tia Filinha começou a cutucar a mamãe e a a dizer: ó...ó..ó.. só a cara da ´Maroca`...ó! A mamãe fazia um esforço danado para não rir e tia Filinha a insistir: "Vê se pode, oia só a cara da Maroca!" Pararam na estação seguinte, atravessaram para o lado de lá e tia Marocas quieta; entraram no outro trem e as duas continuavam iguaizinhas: Uma falava ó...ó...ó a cara da Maroca e a outra muda. A mamãe? tentava parar de rir... Vai se a coisa virasse para ela, não é?

Terminou dizendo: Sabe que passei dias indo pra frente e pra tras? Acho que era o balanço do trem, né? Nunca tinha andado naquilo

30 de ago. de 2009

Voltamos!

Foi uma viagem divina. Sugiro a todos!
Infelizmente, durante a volta fiquei com dor de garganta. Acreditamos que seja por conta do ar condicionado.
Querem saber mais? Larguei a mamãe. Pedi que ela se gerenciasse por alguns dias pois precisava não pensar no que ela podia ou não comer.
Ela atendeu direitinho e só se alimentou com queijos, molhos, arroz temperado X, trutas e sopas divinas, segundo ela, carne assada, panquecas matutinas e está assim:
Em compensação estou assim