Tenho estado muito preguiçosa, desmotivada ou coisa que o valha. Não é a toa, ao contrário, há motivos que me levam a tal comportamento. No entanto, continuo meu processo de reflexão constante e persistente quanto aos ensinamentos que tivemos e o que passamos para nossos parentes mais jovens.
O que mais chama minha atenção ultimamente, além do fato de cada vez mais estar me tornando uma das mais velhas do clã, é que que estão faltando pessoas que fazem. O que fazem? de tudo um pouco, oras. O que é pior é que eu ficando mais velha tenho a resposabilidade de ensinar, porém nunca tive a menor preocupação em aprender a ser dona de casa. Que droga!
Nos ultimos tempos tenho ouvido muitas vezes a expressão " Se há algo que não entendo (ou não faço) é isso que me pede". Minha reflexão me levou a relembrar que cresci no meio de pessoas que sempre sabiam o que fazer e, caso não soubessem, se metiam a fazer.
Tudo começou com meu amado Mauricio quando pedi para que visse meu chuveiro novo, pois se recusava a esquentar. Foi a primeira vez que ouvi: Ah! Benhê, "se há uma coisa que nunca consegui entender é de chuveiro". Perguntei como isso podia ser já que é engenheiro e ele prontamente respondeu-me: é que sou engenheiro eletronico e não eletrico. Mandei ele para um lugar qualquer e chamei o eletricista.
Passado um tempo ele respondeu-me sobre outro problema doméstico da mesma forma mudando apenas o final: "Se há uma coisa que não entendo é de porta emperrada. É melhor chamar um serralheiro". Dessa vez, como em várias, quem arrumou foi a Lydiane que passou o dia tirando a porta de ferro da cozinha para descobrir por que havia emperrado. Tinha um troço quebrado, mas ela deu um jeito e vivemos assim até hoje.
Comecei a pensar que temos poucas pessoas com habilidades e vontade de dar um jeito em coisas que emperram dentro do mundo-vasto-mundo caseiro. Como faremos sem nossos tios que davam jeito em tudo? E nossos irmãos e primos que tiveram o privilegio de aprender com eles será que estão transmitindo os ensinamentos? Ou será que estão apenas revelando que o melhor é comprar ou chamar o especialista.
Aqui em casa há dois faz-tudo de primeira linha: a Ly e o André. Mas nem sempre estão aqui.
Ontem vivi uma cena esquisita para caramba: atendi a quatro situações distintas simultaneamente, a saber:
Atendia o telefone e tentava anotar os telefones que meu irmão ditava, vi quando meu cunhado chegou para destrocarmos de carro e rapido pois havia pouco tempo para ele fazer mais algumas coisas, minha mãe me chamava, desesperadamente, pois saia água da caixa d´agua pelo vaso sanitário (ela tentava abrir uma coisa com uma tesoura) e ao deixar o Luis cumprimentando o André, pedi para minha mãe aguentar um pouco pois tinha de tirar o carro com o Luis que já vinha atrás de mim dizendo "Se há uma coisa que não entendo é de hidraulica". (Ele é engenheiro civil, eu acho) enquanto isso minha mãe aumentava o tom do chamado falando OLHA O TELEFONE TOCANDO, não posso sair daqui...
Até agora eu não sei como foi que dei conta de tudo. Quando cheguei ao banheiro e vi a situação que minha mãe vivia deu vontade de chorar; pedi para que me deixasse lá pois com a tesourinha que usava não iria conseguir tirar a válvula na parede. Ainda perguntei: Por que a senhora está mexendo aí? E ela falou brava: por que é ai que regula essa bosta.
Tempo necessário para explicação: Minha mãe dificilmente fala palavrão ou xinga. Quem a conhece sabe que não estou mentindo.
Vi que a coisa era séria e pedi para todos que entendem de alguma coisa e que aqui não estão mais, me dessem uma forcinha. Eles me atenderam pois de repente vi que precisava de chave de fenda em primeiro lugar. Tirei a birosca e vi lá dentro uma mola e me perguntando qual seria a utilidade daquilo observei uma chapinha na frente da dita cuja; tocando na chapinha lentamente verifiquei que fazia diferença mexer para lá e para cá. Fiquei ali até que vi a água ficando devagarinho, devagarinho até parar. Fiquei me dizendo: Consegui! Que bosta, consegui. Tanta tensão para isso?
Faz falta alguem que não tenha receio de tentar, não é? Preciso que a Ly me ensine a trocar uma borrachinha misteriosa. Outro dia ela falou para mim: Wania, olha essa torneira pingando, poxa! É só trocar a borrachinha.
Pode parecer bobagem , mas eu nunca estive numa situação quando alguem trocava a borrachinha. Daí, envergonhadamente, afirmo: "Se há uma coisa que não sei
o que é, como é e
como trocar é uma borrachinha maldita.
Alguém que fazer a bondade de revisar esse texto e me apontar os erros? ou será que
se há uma coisa....