Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.
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22 de mar. de 2010

Katya, querida Katya

Ficou bonito esse também, viu? Apenas deixe dessa forma mais um tanto de tempo, ok?
Estive no "xitio" do Mauricio nesse final de semana com a Sophia e seus pais, além da 1ª dama, of course. Sophia se divertiu bastante e descobriu infelizmente que uma vaca é algo absolutamente mal cheiroso. Demos o azar de levá-la numa fazenda de pesquisa onde as vacas não são para o leite e sim para o corte, portanto, haja composto nutritivos para engordá-las.

Foi um choque para nossa sultana (ou sultanesa) que só fazia caretas e dizia: "cheio ruim, não queio". Bom, nem ela nem nós. Certo?

Segue um retratinho para vc ver como está a fofura da Dinda e um entardecer no "xitio" (como ela diz).

Essa ultima foto é da primeira vez que Sophia foi a sitio e nós a apresentamos para a árvore que sua mãe plantou na ultima vez que veio em São Paulo. É um pé de romã.Lerdamente esquecemos de fotografar como está hoje.

Não esquecerei da proxima vez.

13 de fev. de 2010

Se há uma coisa que não sei fazer é...

Tenho estado muito preguiçosa, desmotivada ou coisa que o valha. Não é a toa, ao contrário, há motivos que me levam a tal comportamento. No entanto, continuo meu processo de reflexão constante e persistente quanto aos ensinamentos que tivemos e o que passamos para nossos parentes mais jovens.

O que mais chama minha atenção ultimamente, além do fato de cada vez mais estar me tornando uma das mais velhas do clã, é que que estão faltando pessoas que fazem. O que fazem? de tudo um pouco, oras. O que é pior é que eu ficando mais velha tenho a resposabilidade de ensinar, porém nunca tive a menor preocupação em aprender a ser dona de casa. Que droga!

Nos ultimos tempos tenho ouvido muitas vezes a expressão " Se há algo que não entendo (ou não faço) é isso que me pede". Minha reflexão me levou a relembrar que cresci no meio de pessoas que sempre sabiam o que fazer e, caso não soubessem, se metiam a fazer.

Tudo começou com meu amado Mauricio quando pedi para que visse meu chuveiro novo, pois se recusava  a esquentar. Foi a primeira vez que ouvi: Ah! Benhê, "se há uma coisa que nunca consegui entender é de chuveiro".  Perguntei como isso podia ser já que é engenheiro e ele prontamente respondeu-me: é que sou engenheiro eletronico e não eletrico. Mandei ele para um lugar qualquer e chamei o eletricista.

Passado um tempo ele respondeu-me sobre outro problema doméstico da mesma forma  mudando apenas o final: "Se há uma coisa que não entendo é de porta emperrada. É melhor chamar um serralheiro". Dessa vez, como em várias, quem arrumou foi a Lydiane que passou o dia tirando a porta de ferro da cozinha para descobrir por que havia emperrado. Tinha um troço quebrado, mas ela deu um jeito e vivemos assim até hoje.

Comecei a pensar que temos poucas pessoas com habilidades e vontade de dar um jeito em coisas que emperram dentro do mundo-vasto-mundo caseiro. Como faremos sem nossos tios que davam jeito em tudo? E nossos irmãos e primos que tiveram o privilegio de aprender com eles será que estão transmitindo os ensinamentos? Ou será que estão apenas revelando que o melhor é comprar ou chamar o especialista.

Aqui em casa há dois faz-tudo de primeira linha: a Ly e o André. Mas nem sempre estão aqui.

Ontem vivi uma cena esquisita para caramba: atendi a quatro situações distintas simultaneamente, a saber:
Atendia o telefone e tentava anotar os telefones que meu irmão ditava, vi quando meu cunhado chegou para destrocarmos de carro e rapido pois havia pouco tempo para ele fazer mais algumas coisas, minha mãe me chamava, desesperadamente, pois saia água da caixa d´agua pelo vaso sanitário (ela tentava abrir uma coisa com uma tesoura) e ao deixar o Luis cumprimentando o André, pedi para minha mãe aguentar um pouco pois tinha de tirar o carro com o Luis que já vinha atrás de mim dizendo "Se há uma coisa que não entendo é de hidraulica". (Ele é engenheiro civil, eu acho) enquanto isso minha mãe aumentava o tom do chamado falando OLHA O TELEFONE TOCANDO, não posso sair daqui...

Até agora eu não sei como foi que dei conta de tudo. Quando cheguei ao banheiro e vi a situação que minha mãe vivia deu vontade de chorar; pedi para que me deixasse lá pois com a tesourinha que usava não iria conseguir tirar a válvula na parede. Ainda perguntei: Por que a senhora está mexendo aí? E ela falou brava: por que é ai que regula essa bosta.

Tempo necessário para explicação: Minha mãe dificilmente fala palavrão ou xinga. Quem a conhece sabe que não estou mentindo. 

Vi que a coisa era séria e pedi para todos que entendem de alguma coisa e que aqui não estão mais, me dessem uma forcinha. Eles me atenderam pois de repente vi que precisava de chave de fenda em primeiro lugar. Tirei a birosca e vi lá dentro uma mola e me perguntando qual seria a utilidade daquilo observei uma chapinha na frente da dita cuja; tocando na chapinha lentamente verifiquei que fazia diferença mexer para lá e para cá. Fiquei ali até que vi a água ficando devagarinho, devagarinho até parar. Fiquei me dizendo: Consegui! Que bosta, consegui. Tanta tensão para isso?

Faz falta alguem que não tenha receio de tentar, não é? Preciso que a Ly me ensine a trocar uma borrachinha misteriosa. Outro dia ela falou para mim: Wania, olha essa torneira pingando, poxa! É só trocar a borrachinha.

Pode parecer bobagem , mas eu nunca estive numa situação quando alguem trocava a borrachinha. Daí, envergonhadamente, afirmo: "Se há uma coisa que não sei o que é, como é e como trocar é uma borrachinha maldita.

Alguém que fazer a bondade de revisar esse texto e me apontar os erros? ou será que se há uma coisa....