Parentes queridos parentes
O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.
7 de mar. de 2010
Vitoria Luiza com C ou sem C?
Talvez a prima mais curiosa que tive, não sei, pois são tantas, tão curiosas que me vejo em palpos de aranha.
A Vitoria era mais velha do que eu e me lembro que achava interessante o fato dela ser normalmente chamada Vitoria Luiza enquanto eu, também possuidora de nome duplo, só era assim chamada quando algo mais serio havia acontecido ou por causa do meu envolvimento numa encrenca.
A primeira coisa que me vem a cabeça sobre Vitoria era que ela devia se meter sempre com algo serio ou errado pois se assim não fosse por que ficavam falando ´Vitoria Luiza` quando olhavam parra ela.
Naquela idade meu discernimento era um tanto falho sobre o que ocorria a minha volta. Hoje vejo com clareza que Vitoria tinha uma deficiencia mental qualquer que nunca me foi especificada e sequer mencionada. Mais uma das coisas de nossa familia que foram para o limbo.
Eu, que possuia um irmao deficiente mental, captava similaridades de maneira empirica e guardava no bolso para pensar mais tarde.
Vejo que assim como em outras familias casos de deficiencia eram escondidos, rechaçados, tampados, mascarados. Assumia-se o ser em questao mas não se falava a respeito e agindo assim uma "normalidade" se impunha... Isso foi bom? Não creio. Isso foi ruim: sei lá, so sei que varias interrogações ficaram sem respostas e daí esses lapsos que sentimos muitas vezes ao pensarmos sobre os Almeida e os Brandão.
Alguém já disse que nada se esconde do que aqui, nesse mundão de Deus, aconteceu. É, portanto, esperar para ver.
Está claro que foi enorme a quantidade de primos casando-se entre si. Mas será que só isso seria a explicação para alguns casos?
Também ninguem fazia exames de compatibilidade sanguinea ou sequer pensava nisso (será que já existia?).
De qualquer maneira a história esta aí para contar n casos de problemas tidos e havidos como consequencia disso e daquilo etc. e tal.
Mas voltando à Vitoria Luiza fico a pensar como alguém que era portadora de necessidades especiais conseguiu estudar, se formar, dar aulas, comprar carro, aprender a dirigir, bater diversas vezes o veiculo, vendê-lo, etc.
Alguém pode me informar por favor?
Beijos
7 de jul. de 2009
A Jaci e o lixo. A Myle e a necessidade de ir ao banheiro.
Uma coisa que presenciei e jamais consegui esquecer foi que num dado momento estávamos todos entre salas e cozinha e a Jaci, irmã da Dalva esposa de meu primo Kleber, saiu correndo como uma gazela e gritando. Fui ver onde ela estava indo e peguei a seguinte cena: ela descendo uma ladeira correndo de maiô, com um saco de lixo de uns 100 litros nas costas (que eu juraria ser de 500 litros) atrás de um caminhão de lixo. A agilidade me impressionou. Fiquei me perguntando uma série de coisas, tais como: por que correu? por que não deixou para amanhã? e se caisse? etc. e tal. Em minha reflexão ficava me dizendo não faça isso, Wania, não se exponha pois as consequencias poderão ser graves... Nunca esqueci essa passagem. Já cheguei a dizer pra quem estivesse numa situação similar: "para que correr como a Jaci? amanhã ele volta..." O inesquecivel mesmo para mim foi o silêncio da Jaci voltando com um sorriso de satisfação que revelava o "eu consegui" com orgulho de si mesma.
Pois hoje me vi na mesma situação: com pijama, um roupão velho semi aberto pelo cinto mal colocado gritando feito uma cacatua da Birmânia: espeeera! tem liiiixo! Maissss! E 4 vezes corri pelo corredor ao lado da casa para parar o caminhão, pegar tranqueiras e dar para um intrigado lixeiro um banquinho desfolhado, cestas inúteis, pregos enferrujados, tábuas molhadas e outras coisas irritantes que são sobras de reformas.
Quando entreguei tudo, respirei e sentei na cozinha falando para minha mãe: eu (
Quando estava no banho lembrando do mico, meu pensamento voou novamente para Itajaí e lembrei da situação vivida por nós, os curiosos, que fomos para um morro e lá de cima admirar os nudistas. Não dava para ver nada, ficamos frustrados e entramos na camionetona para ir para outro lugar. Meu primo Kleber dirigia e percebeu que não haveria possibilidade de manobrar a não ser descendo até a praia dos ditos cujos. Elegantemente ele nos falava: disfarcem pessoal, temos que ir até lá embaixo para virar a camionete. Lá chegando fomos recebidos por um manobrista mau encarado e que só sorriu sarcástico quando percebeu o tamanho do veículo. Se nossa intenção era ser discretos demos azar. Jorge teve de descer e pedir: vem, vem, vem mais. Agora para lá... isso, mais, mais, chega... Nunca vi um lugar tão apertado. Nós, dentro do veiculo ficamos vendo pessoas nuas de todas as formas tentando sorrir feito bocós (e não gargalhar como tinhamos vontade) como se tudo estivesse normal. Finalmente a camionetona ficou de frente para a saída e aí, então, a pequena Jamyle disse para a mãe (Kenya): Mãiinha, quero fazer xixi! A Kenya arregalou os olhos e afirmou com segurança: Ah não! Vamos para casa, ou então paramos lá em cima, na estrada, mas aqui não vou entrar. Dois segundos depois, como toda boa mãe que se preze desceu do veiculo e foi num restaurante ao lado perguntar sobre banheiro. Me lembro de ficar com pena da Kenya pelo constrangimento e acompanhá-la com o olhar de que estava ao seu lado dando-lhe apoio. De repente, bem ao meu lado havia um senhor passando muito óleo no corpo e nos olhando. Lidia e eu ficamos perplexas. Ele passava óleo na parte genital com muito empenho. O Kleber disse: Waninha, disfarce. Tentei, juro que tentei, no entanto, fiquei incomodada com a quantidade de óleo que passava no penis imaginando se seria saudável. Minha vontade era de abrir a janela e dizer: "Não seria melhor um bloqueador 280, senhor?" Até hoje fico imaginado como aquele pinto estaria no final do dia. Boa coisa não deve ter sido. Coitado! Nesse momento a Kenya voltou e lembro-me de ter perguntado se os garçons estavam nus ao que ela respondeu: "Não. Estavam todos de avental."
Foi muito boa aquela viagem. Aprendi muito e até hoje aprendo com experiencias vividas no sul.