Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.
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23 de jul. de 2010

A carta de um Homem, via Wander

Ao ler essa deliciosa carta enviada pelo Wander fiquei pensando que ela merecia estar aqui.
Não sei quem escreveu mas sabendo quem enviou sei que tem o aval de alguém da família que por sinal tem bom gosto.

À quem escreveu os meus sinceros agradecimentos e sua licença.

A carta de um Homem 

Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção. Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual. Isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas. As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas.... Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As muito magrinhas que desfilam nas passarelas seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays, e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são muito retas e sem formas, e parecem agredir o corpo maravihoso das mulheres. Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato são equivalentes a mil viagras. A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa... sem graça. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor. As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas. Por que razão as cobrem sempre com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras, e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão, e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão. É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulímiaca e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranquila e cheia de saúde. Entendam de uma vez! Procurem agradar a nós, e não só a vocês; porque nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas e maravilhosas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é simplesmente linda! As jovens são lindas... mas as de 30 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por Karina Zzocco, Eva Longaria, Angelina Jolie ou Demi Moore, somos capazes de atravessar o Atlântico a nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas, que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto, uma mulher de 45, que entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento, ou está se auto-destruindo. Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio, alegres, e que sabem controlar sua natural tendência à culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se sabota e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza. Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol', nem em Spa... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos. Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se! A beleza é tudo isto. Tudo junto! 

É ou  não é uma carta de levantar o dia de qualquer mulher?
Para mim foi o suficiente para dar mais ânimo para fazer uma faxina na casa e em mim mesma.

20 de jun. de 2009

Descobri que Papai Noel não existe novamente...

Não dá para contar a quantidade de "Papei Noel" que descobri não ter existido em minha vida. Não que isso seja ruim mas sempre fico com uma sensação de ter perdido tempo acreditando inutilmente em algo. Bobagem? Pode ser, porém junto vem um sentimento de " e agora?". Como saber o que é mesmo verdade? Não é meu propósito listar o que acreditava e deixei de acreditar, mas contar algo que aconteceu comigo essa semana e a perplexidade que sinto nesse instante.
Tudo começou quando (adoro esse começo de frase pois sempre me lembra a Cila ou Gracyra) anteontem sonhei com alguém do passado remoto e que não tivemos a oportunidade de conhecer; afinal não vivemos o século XIX muito menos entre 1820 e 1840. Talvez minha safra de netos se lembre de uma menção ou outra em relação a nossa Avó Balbina. Pois foi com ela que sonhei... Pode?
O que ouvi sobre essa avó sempre me impressionou: mulher de autoridade inquestionável, personalidade fortíssima, além do que foi a mentora política do vale do Capivari (hoje Consolação) e que, entre outras coisas, se fosse preciso fazia até mortos votarem.
Em minha memória a via como pertencente a família Ribeiro (nossa base) na genealogia. O sonho me fez fazer algumas perguntas para minha mãe que se lembra muito pouco dela. Não a conheceu mas se recorda que era mencionada com respeito pela família. Ela era fogo, disse-me ela.
Hoje resolvi ir atrás dela: procurei, li o livro de genealogia feito pelo padrinho de minha mãe, José Ribeiro, pensei, fiz conta até cansar. Depois fui até minha mãe e falei: O mãe, pela lógica a avó Balbina não era da Família Ribeiro de Carvalho. E ela, impassível, respondeu-me: Mas quem disse a você que ela era? Meu queixo caiu... Ninguém me disse na verdade, mas sempre acreditei... (esse papai Noel também não existe, lerda, disse para mim mesma).
Então se ela não "pertencia ao nosso livro genealógico" pertenceria a quem? De onde ela veio? Como se tornou uma pessoa tão importante sem nunca ter saído de um lugar? Como pode ser lembrada por tantas gerações?
Senti uma saudade monumental do Dema - Adhemar Paulo de Almeida- que descobri acidentalmente, ter morrido recentemente. Se alguém poderia me dizer quem ela era, de onde ela veio, quem gerou, qual sua história? Só poderia ser ele.
Um dia, isto é, uma noite chegamos tarde a beça lá no sul de Minas e não tinha ninguém acordado que pudesse nos oferecer uma cantinho. Ficamos "em palpos de aranha" , como dizem. Não me lembro quem mas alguém lembrou que talvez o Dema estivesse acordado e tocamos para a Fazenda da Bateia. Lá chegando, Dema nos recebeu muito bem e enquanto foi preparar camas mandou os rapazes pegar uma galinha para fazer um jantar bem gostoso. Nós dois ficamos proseando no processo de "fazer as camas"; eu esticava um lençol, ele já ia adiantando outros. De repente me perguntou se eu sabia que ele estava escrevendo um livro? Falei que sim e que era sobre um parente. Um parente não, disse-me ele, uma parente... Quem? perguntei logo. "A vida de Balbina Simões de Almeida", respondeu com um sorriso vitorioso. Fiz uma série de perguntas técnicas do tipo: mas como? por onde começou? como soube? etc e tal. Até que ele me falou: quer ler o rascunho? Sem dúvida que queria.
Lembro-me de ter deitado na rede com os manuscritos nas mãos e começado a ler... Só parei para comer a galinha ao molho pardo e em seguida, infelizmente, fomos dormir. Aqueles manuscritos rondam minha cabeça muitas vezes. Da última vez que perguntei lhe dobre o livro respondeu que estava em BH para ser revisado e talvez editado... Nunca mais soube do livro, dos manuscritos e, parece-me que agora, não saberei mesmo, afinal, ele morreu.
Lembro-me de duas coisas interessantíssimas sobre a avó Balbina. Primeira: Ela era analfabeta, assim como todas as mulheres da época, no entanto, sua curiosidade e interesses eram tão grandes que seu pai a deixava ficar escutando as conversas de homens que aconteciam na fazenda. Seu interesse pelos assuntos a fazia ficar horas tentando decifrar os jornais e, eventualmente, perguntava ao pai os significados de algumas palavras. Quando deram pela coisa, Balbina tinha aprendido a ler e escrever sozinha.
A segunda coisa aconteceu ao parar a leitura para jantar pois estava num momento muito interessante: Nossa tetravó Balbina estava sentada no alpendre de sua fazenda quando um homem a cavalo entrou porteira adentro, sem fazer cerimonia e foi se aproximando com ares arrogantes. Parou e perguntou: De quem é essa fazenda? Ao que ela, sem levantar a cabeça da costura , falou baixo mas incisivo: Primeiro você apeie desse cavalo, tire o chapéu e me cumprimente. O sujeito assim o fez. Então, calmamente, vó Balbina ergueu a cabeça e olhando fixamente para o cavaleiro disse-lhe: É minha. Sou Balbina Simões de Almeida.
Ao parar a leitura lembro-me de ter pensado: Uau! Que mulher poderosa! Só que nunca mais saberei o que o ex-arrogante queria com ela. Que droga!