Se chovia, não era coisa do outro mundo; ir para fazenda significava subir direto sem preocupações com lamas entre outras coisas. Que O fogão de lenha estaria aceso, o café com leite e a famosa farinha da Rosa estariam lá. Sabíamos disso. Se tinha baile, ótimo: dançávamos sem nos preocupar tanto com suores e retoques em maquiagens. Nos sentíamos bem com nossas malhas, casacos e cachecóis.
Havia muita neblina, isso me lembro bem. E, se por acaso ela estava lá quando acordávamos corríamos para perguntar ao nosso climatempo-vovô como iria ser o dia e curiosamente nunca errava ao dizer, invariavelmente: " Neblina baixa é sol que racha, neblina na serra é chuva que berra".
Como era boas as afirmações adultos e, especialmente, daqueles que considerávamos seres absolutamente idosos. As afirmações dos adultos eram como imperativos categóricos kantianos. Não sobrava espaço para o "...mas, e se...?". Quando falavam era como se nada pudesse atrapalhar nossos sonhos, ilusões etc e tal...
Faz dez anos que não sei mais o que são férias de Julho. E, definitivamente, não gosto disso. Sinto falta das certezas dos mais velhos e vejo que as minhas não são muito apreciadas e nem muito consultadas. Sinto que os antigos falharam ao dizer que um dia vocês saberão o que será responder determinadas questões...
Saudade do mês de Julho, do antigamente da minha vida, muita saudade.
As serestas e serenatas fazem falta na trilha sonora de minha vida...