Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.
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20 de nov. de 2014

XI Encontro dos Primos

Chegou o dia. 15/11/2014. Dessa vez no Encontro foi no sitio do Waltinho Brandão, lá no Machadão em Paraisópolis. Como em todos os demais tornou-se inesquecível.

Nesse encontro houve algo que confirma minha tese de que parentes ensinam mais do que imaginamos. Uma idéia muito legal de minha irmã Wanilda serviu de lição para as meninas e, por que nao dizer, para os meninos também.

Em primeiro lugar perceberam que gente grante conhece umas coisas muito legais que fazem todos esquecerem do celular. Iupiiiiiiii! Viva nós!
Vejam o texto abaixo de Wanilda e entenderão.

"Há onze anos minha família mineira agita um grande e prazeroso encontro dos primos.

Neste último fim de semana nos reunimos novamente em Paraisópolis, sul de Minas Geraiscidade onde nasci, para mais uma vez desfrutarmos da alegria, de abraços, e para matar a saudade.

Vem primos da Bahia, de Santa Catarina, de São Paulo, de Campos do Jordão, enfim, decabo a rabodesse Brasil de meu Deus!

Para a farra deste ano propus à mulherada uma "horinha de bordado e uniãopara construirmos uma toalha em patchwork! E elas toparam!

Entreguei, então, a cada uma delas, um paninho para que fosse desenhado o contorno de sua mão esquerda. Aí, sem censura e com alegria, a dona da mão foi convidada a bordá-la!

As mulheres presentes puderam, felizes, colocar as conversas em dia e, também, saborear o cafezinho com biscoitinhos bem mineiros!

Às que não puderam comparecer, tratei de lhes enviar um convite-paninho. E olha como mineira é rápida! receberam o insumo necessário para participar da nossa toalha, e aguardo o resultado de cada uma para sentar na máquina e montar a toalha Mãos das mulheres da nossa família.

Esse produto final será exposto para todos os primos no encontro de 2015.
Vou contar uma coisa: foi uma tarde muito agradável e divertida.

As que nunca bordaram na vida contaram com a ajuda das mais experientes! Aquelas que achavam que não tinham nenhuma habilidade, por fim, conseguiram nos matar de rir e produzir um bordado muito interessante! E as bordadeiras de longa data nos encantaram com sua destreza e seu capricho.

Observar as bordadeiras octogenárias mantendo seus olhos na agulha e, simultaneamente, conversando e rindo, foi emocionante!

Desde pequena tenho as irmãs da minha mãe como exemplo de vida.
Elas sempre bordaram, sem linha e agulha, no seu dia a dia, a honestidade, a coragem, a e o amor pela família.

Minha homenagem e meu agradecimento às tias Wilka, Waleska, Waldeneuza, Waldyra, Wayne, Wenilse e Walderez, e a minha mãe, a mais velha das irmãs Almeida, por ter me ensinado a enfrentar a vida com a cabeça erguida e com trabalho, muito trabalho!

O meu abraço agradecido a todas as mulheres da família que colaboraram com o projeto.

Pelas fotos para ver o quanto são especiais!"











Ah! Onde está Wally? Isto é, o celular? Procurem.

20 de set. de 2014

O pássaro cuco e a múmia



Oi gente,

quanto tempo, pois é. Não dá para dizer a quantidade de experiencias e trocas que fiz ao longo desse tempo. Gostaria de registrar tudo mais tenho preguiça (um dos pecados capitais, Credo em Cruz!) que dá dó. Gostaria de ter um scanner de mente e colocar aqui. Seria bem legal.


Mas o que me trouxe aqui hoje tem a ver com o titulo e minha intenção primeira com esse blog, a saber: reproduzir experiencias que vivemos em nossa família que serviram ou servirão de exemplos educacionais. É aquela tese, lembra? Não é só a escola que ensina.


Um tempo atrás estava na casa de minha irmã Ly observando e babando em cima das crianças que são lindas, quando a Sophia abriu a porta da sala (que é de correr) que liga essa aos quartos e segurando a porta com uma mão e o batente com a outra gritou: " mãe, a Teresa fez tal coisa" e a mãe respondeu: Peça pra ela ficar quietinha pois eu vou já já falar com ela". Pensei com meus botoes: "Não vai adiantar nada". Dito e feito. Passaram-se alguns segundos quando novamente abriu a porta e disse: " Mãe, ela não quer ficar quieta". Respondeu minha irmã " Tô indo, espera aí". Passaram-se outros segundos e a porta foi novamente empurrada e ela berrou: " Mãe a Teteca não quer parar".... Aí, não levando em paciência, como diria minha avó, disse-lhe: "Nossa, Sophia, você esta parecendo um cuco" Pra quê! Saiu gritando chorando copiosamente dizendo que eu a havia chamado de pássaro cuco. Ai eu disse: Opa! Não senhorita, eu disse que esta parecendo um cuco" E toca a chorar, ficou de mal, me mostrou a língua, tudo que uma criança faz quando esta indignada e com fome como diz minha mãe. Passado um tempo a Ly me falou: O Wania, por que você fez isso etc e tal. E eu fui ficando um tiquinho sem graça. Passado um tempo fui atras dela e disse-lhe que queria conversar e ela ficou toda ofendida dizendo que eu a havia xingado e que isso não era certo e eu dizia que achava que ela não tinha me entendido, pois o que havia feito era uma comparação e não um xingamento e expliquei sobre o relógio cuco, como ele funciona, se ela conhecia, etc e tal. Não adiantou nada pois até hoje ela diz:"um dia você me chamou de pássaro cuco" e assim vamos vivendo essa vida. Penso que ela deverá fazer terapia por conta disso. Tadinha e ela nem parece um pássaro cuco.


Passa o tempo .Hoje, conversando com uma de nós primas: "Waninha, sabia que eu fui fazer terapia e deixei escapar que eu era chamada as vezes pela minha mãe e pelas tias de múmia!. A terapeuta ficou tao chocada que me vejo agora justificando a família, que eles na verdade não queriam me ofender, e sim dizer que eu era mole, devagar ou qualquer coisa assim. E não adiantou.... Não sei o que fazer."

Começamos a rir e pensei com meus botões se por acaso o povo, educadores, terapeutas e demais pessoas da área soubessem como já fomos nomeados pelos nossos tios e avós ficariam tao horrorizados que seria motivo para sair no Jornal Nacional. E no entanto, percebo que nós, pobres Almeida, Simões, Brandão, não considerávamos uma afronta pessoal, é verdade ou não, pessoal? Mas parece-me que as crianças atualmente não estão sabendo brincar. Vai ser um problema na nossa família de gaiatos, certo?


Observem que entre um e outro tempo foram embora umas três ou quatro décadas. Que mudança.

7 de ago. de 2012

A incrível história do ralo que sumiu

Já devo ter dito isso em algum momento e não vejo razão para não repetir: As vezes em nossas vidas acontece cada coisa que no minimo causa grande estranhamento. Foi o que aconteceu aqui em casa ontem. O caso em questão merece registro daí eu prescindir de falar da tia Marocas e comentar esse pois vou esquecer como tantos outros já se foram.

Não sei na vida das pessoas acontecem cenas inconfessáveis tais como escovar os dentes, bochechar a água, abrir a gaveta e cuspir tudo lá dentro... Ou então perder o bombril recém comprado que de repente aparece dentro da geladeira e por aí vai...

Faz anos a Ly implica com nossos ralos aqui em casa. (Ly para quem não sabe é minha irmã caçula). Temos medo de que entrem baratas nojentas, então colocamos sobre eles, quando não estão em uso, um saquinho plastico assim como quem não quer nada. Pois ela acha um absurdo, afinal de contas é antiestético e antiético (como diz meu eletricista). Sem dúvida é muito deselegante, mas fazer o que, não é? E ela respondia: comprar um que  gire e feche, ora bolas!

O tempo foi passando e ela reclamando até que há duas semanas atrás apareceu aqui com os ralos modernos, brilhantes e novinhos em folha, que comprou e nos deu. Seu maridão de bom grado limpou o local e  os colocou nos lugares, lindos e formosos. Devo dizer que nossa casa ficou mais bonita com os ralos hi-tech. É muito legal rodar com o pé a bolinha simpática em cima deles e girar ao nosso bel prazer (termo antigo, heim? )

Bom, nesse final de semana aconteceu algo estranho. A Ly foi dar um banho na Teresa e ao invés de armar a banheira resolveu colocá-la no chão do box da nossa mãe, ou seja, em cima do ralo. Não quis ajuda, portanto não sabíamos o que ela tinha feito lá no banheiro. É importante frisar isso pois vocês verão como podemos dar um nó no cérebro chegando a difamar as pessoas.

Após o banho arrumou a criancinha, esvaziou a banheirinha, deu papinha para o bebê e partiram todos para seu lar.

Fomos dormir e ao acordar ontem minha mãe me diz: Minha filha o ralo sumiu! Quem me conhece bem sabe como sou de manhã, principalmente ao receber notícias desse mote. Hã? O que mãe? Que ralo? - O ralo do meu banheiro ele não está lá. - Como não está lá, mãe? - Não está. Ontem quando fui deitar vi que não estava lá. - Ah! Vai ver ficou grudado na banheira pois a Ly deu banho na Teteca com a banheira  no chão, disse eu numa tentativa vã de solucionar o problema.-  Não está. Já olhei e a Maria também.
Não é possível! deve estar por ali mesmo - e fui tomar café. 

Maria subia e descia escada e a cada hora me dizia, Wania, não achei o ralo. Já procurei atrás do vaso , na pia, atrás da banheira e embaixo, já vi 3 vezes. Não encontro. Lá da sala a mãe me disse: Minha filha, será que a Ly colocou no bolso? - Mãe, que raio a Ly iria fazer com ralo no bolso? Sei lá, minha filha, está todo  mundo com a cabeça quente... É, pensei, nisso ela tem razão as vezes fazemos cada coisa....

Ligo para minha irmã e não consigo falar com ela. Tudo isso já próximo do meio dia. Daqui a pouco retornou a ligação e fiz então a já famosa pergunta: Ly, cade o ralo? - Que ralo, Wania? O ralo do banheiro da mamãe. - UAI, eu não peguei ralo nenhum! - A mamãe quer saber se você não pôs o ralo sem querer no bolso. - EU, Wania? O que eu iria fazer com um ralo no bolso? - Sei lá! Só sei que o povo está procurando o ralo e não acha(na minha família mais de uma pessoa é povo, gente). - Pois eu não peguei, vai ver ficou preso na banheira... - Já procuramos e nada!!! - Meu Deus do céu será que estou ficando doida, Wania? - Não sei Ly, só sei que ela e a Maria não param de falar do ralo. Vamos fazer o seguinte: vou procurar em outros banheiros pra ver se não foram parar lá rodando ou coisa assim, disse eu sem a menor segurança. Deixei a Ly insegura e aparvalhada com a situação e comecei eu a procurar o ralo também.

Subi para o andar de cima com minha mãe e a primeira coisa que fiz foi entrar no banheiro dela. Olhei espantada para o chão e vi, com os olhos que essa terra há de comer O RALO, em seu devido lugar, corretamente instalado. Me virei e falei - mãe, o ralo está aqui, quem achou? - Ela disse eu não achei; Maria você achou o ralo aonde? Não achei, Dona Waldete. E ai percebi tudo o ralo sempre estivera ali. Elas estavam chamando de ralo a latinha que fecha os buraquinhos do ralo. Chegaram a levantar o ralo para procurá-lo, não é coisa de doido? Bem ,dizem os antigos: O lugar mais escuro é embaixo da luz.

Pois é, meus queridos. O mais dificil foi ligar para a Ly a noite e contar-lhe o episódio inteiro e ainda ouvir da parte dela não só uma gargalhada mas como também um desabafo: Wania, passei a tarde toda pensando onde eu enfiei o ralo!

18 de nov. de 2010

Joias de familia

Esse titulo li numa folha de papel em um filme onde uma das personagens tentava fazer um trabalho escolar. Uma cena rápida.

Fiquei pensando mais de uma vez imaginando as joias de família que dispomos para passar de pais para filhos...
Em nossa família não ouço discussões sobre as joias de família (graças a Deus), de quem ficou para quem passou.
Lembro-me vagamente de algo relacionado ao casamento da tia Wayne com tio Zé Ireu. Estavam a caminho da lua de mel, acidentaram-se na Rebouças (SP/SP)e perdeu-se o anel que era da vovó. Levei anos para desembaraçar essa história até que chegou um momento em que o medo danado da Av. Rebouças que passei a ter transformou-se em receio e hoje é apenas cuidado; nada de joias de família.
Lembro-me das joias da tia Wilka, da tia Waleska e de minha mãe, mas só... Não lembro de minha avó com joias a não ser brincos pequenos e discretos.
Na verdade nunca me preocupei com esse assunto e sempre achei natural ganharmos uma joia aqui outra acola de nossos pais e darmos uma joia aqui outra acola aos afilhados etc e tal.
Gosto de joias e as poucas que tenho são de um valor incalculável por terem sido dadas. Nunca ganhei um anel igual ao que o príncipe William deu para sua noiva Kate e penso que ficaria lindo em minha mão. Mas, não nasci para princesa, duquesa, marquesa, e sim para “baronesa da tabua lascada” como muitas vezes ouvi se referirem a mim.
Bom, mas isso é outra história. O que gostaria de dizer é que independente das joias verdadeiras ou simbólicas nossa família tem as joias de família mais preciosas do mundo: lembranças.
Existe joia mais rica, importante e original do que essa?? Não acredito.
As vezes me vejo lembrando de uma coisa aqui outra acolá que são tão díspares que não dá para explicar. Exemplo: O dia em que a vovó morreu e o dia da discussão do Paulo Marcos e da Renata sobre se o que viam no alto da árvore era ou não maritacas.
Nesses momentos gostaria que estivéssemos todos, como já estivemos varias vezes, deitados em vários cantos da mesma sala ou do mesmo quarto para falar: Sabe, no dia que a vovó morreu, o tio Wilton mandou todos os empregados varrer o terrerão de café e estranhamente me pareceu que os empregados ficaram felizes por terem algo para fazer e vários blas blas blas e blas iriam surgir e me fariam pensar, pensar e pensar. E muito provalmente terminaria dizendo: Gente! Sabe o ultimo almoço que fizemos no clube de campo? Pois então, sentei numa mesa ao lado do Paulo Marcos que tinha a Renata ao seu lado esquerdo. Todos almoçávamos e proseávamos. De repente o Paulo olhou por sobre minha cabeça e disse: Olha que belezinha a Maritaquinha... ao que a Renata falou: não é maritaca.
E o Paulo: É maritaca.
Renata: Não é maritaca, não senhor
Paulo: É maritaca, sim Renata
Renata: Eu conheço maritaca e isso aí não é maritaca. Lá em Campos do Jordão...
Eu olhava aquela cena impressionada com o dialogo dito sem alteração de voz e pensava eles vão quebrar o pau por conta de uma maritaca shakespeariana ser ou não ser...
Sem levar em paciência disse: Renata como você é chata. Queria dizer para o Paulo também mas como ele estava recém operado e fazia tempo que não o via fiquei quieta com medo da reação. Levantei e sai dali...
Querem saber de uma coisa? Essas são nossas joias de família únicas e eternas.
Devo essa postagem ao meu cunhado Luis Carlos. Thanks!

23 de jul. de 2010

Lembranças súbitas

Estavamos almoçando aqui no sitio do amado quando a mamãe lembrou de algo e falou: "Não sei por que lembrei disso... mas uma vez o tio Figango (tio dela, filho do avô Brandão) não estava passado muito bem na cidade, aliás não estava nada bem. Quando apareceu um empregado levando noticias do Brejo Grande aproveitou o ensejo e pediu para que o acampanhasse até o banheiro. No meio do caminho o tio caiu no chão pois até o empregado não conseguiu segurá-lo. Diante do fato ele disse para para o empregado: "Ah! Tô morto" ao que o empregado disse: "Então, reza comigo. Pai Nosso...." Só podia ser na nossa familia...

2 de abr. de 2010

Ela Chegou!

Rodrigo e Milena tem a honra de comunicar a chegada de
Maria Luiza.
Chegou linda e saudável com 49 cm e 3.270kg.

Já cheguei bem esperta e faminta...
Olha como estou feliz no colo da TaTa.

O vovô Klecius, a vovó Nice, a titia Karla, o titio Mário, o príncipe Henrique e a Titia Karyna, estão todos prosas pois a família recebeu mais um integrante.
Malu veio para alegrar nossas vidas - seja benvinda querida

Cheguei ganhando homenagens lindas como isto que tia Laura Fez para mim :
Muitos são os motivos para a alegria!
Abençoada seja a sua vinda.
Risos sejam constantes amigos e
Iluminados sejam os seus passos na vida.
Amor é o que não faltará!

Linda menina, chegue fazendo alarde!
União, paz e felicidade sejam presentes eternos.
Invente-se todos os dias,
Zele por um mundo melhor,
Aprecie o dom que lhe é dado agora: a vida!
By Laura Penchel

18 de set. de 2009

Nos próximos dias terão uma surpresa das boas!

Ultimamente tenho me sentido muito honrada com a participação de algumas pessoas no blog. O prazer que isso me dá é inenarrável (adoro esse conceito: me lembra Tereza Maria a que nunca tinha palavras). Por falar nisso quem é Tereza Maria, afinal de contas? Quem tem a resposta? É claro que só poderia ser quem já se foi: o Adhemar Almeida. É brincadeira?.
Uma coisa que noto diariamente é que muitos de nós mudamos um tiquinho só por fora, mas o que mais importa, está lá! Em cada um. No jeito de falar, de contar, de se fazer presente, de lembrar. É como se cada um de nós fossemos um "link", um elo que nos mantém unidos "apesar de" e até "mesmo que". Não adianta querermos cortar os "links" ou elos pois todos estamos intrinsicamente ligados, ou seja, ao escrevermos algo, ao pensarmos algo tomando o devido cuidado e concentração, observaremos que aparecerá alguém que será a ligação com outro alguém e com os ´causos` surgidos, com os algos vividos, realizados, criados e assim por diante.
Sempre achei interessante a imagem de alguém que parte ao meio qualquer coisa ficando com uma parte e a outra dada para outro ser que acabam levando ao pescoço (por que será?).
No caso familiar há algo similar, porém nós é que somos os pedaços (por menos que se possa ou queira aceitar). E talvez tendo isso em mente possamos ser um pouco mais conscientes com a gente mesmo. Daí não termos o direito de ´arrogantemente` não nos cuidarmos ou deixar de lado cuidados pessoais quaisquer pois "em mim quem manda sou eu".
Pode até ser que você mande em si mesmo mas antes de sair por aí fazendo todo tipo de inconsequencia, não esqueça de cuidar e guardar o que é e como está. Registre, coloque num cofre juntamente com o pedaço daquele instante, devidamente registrado.
Aí sim, poderá ser o "só", o "inteiro", o "único" para fazer o que lhe der na telha. Pronto.
Se deixamos de nos informar sobre a família e a convivência familiar aí o saber familiar poderá ser colocado de lado; dores não serão mais compartilhadas e muito menos as alegrias e as superações que são, creio eu, os ingredientes que compõem e formam um clã. Sem dúvida alguma tudo isso contribuiu para a história da humanidade, acredite.
Talvez, em nome do fascínio da tecnologia acreditemos que o história está dividida em a.B e d.B (antes de Bill Gates e depois do Bill). E mais, a história da tal 'World Wide Web' não é história da humanidade.
Enquanto Ligações (com L maiúsculo mesmo) já existimos ha muito tempo, muito mais do que possamos imaginar. Se abrirmos um livro de história dos mais xinfrim constataremos que o Homem só se constituiu como espécie duradoura após a formação familiar. Não é besteirol o que digo para vocês meus queridos jovens parentes. Na verdade é apenas esclarecimento sobre a história que você carrega e deve dar continuidade. Pode crer!
Muitos de nós contestaria rapidamente minhas palavras (eu mesma, se me permitisse só usar da razão, inclusive). Mas não quero. O que quero é apenas dizer com sentimento o que vem a cabeça com razão.
ADORO UM SUSPENSE! E, é por isso que não mencionei a razão do título. Como diria meu pai: "Esse é o gancho para o próximo capitulo".
Ah! Se todo comercial fosse assim?

21 de ago. de 2009

Com a palavra, Rosely Sayão.

Gosto muito de várias coisas que Rosely Sayão, psicóloga e escritora, nos fala. Sua coluna das quintas-feiras na Folha Equilibrio (anexo da F. São Paulo) na maioria das vezes me deixa feliz. Primeiro por que é bom ler algo que nos auxilia em nossas reflexões, em segundo por que na maioria das vezes compactuo com suas afirmações. A dessa semana tem como título "Família Sustentável" onde li algo emocionante: " Se os pais não transmitem suas tradições e as de suas famílias de origem aos filhos -estimulando o contato entre eles, contando suas histórias, comparecendo aos rituais existentes-, criam uma geração órfã de família. É como se a existência do sobrenome não fizesse sentido, pois não há diferenciação nem características próprias do grupo familiar.
É preciso lembrar que família e sociedade são agrupamentos interdependentes: se um vai mal, o outro também vai. (...)"

Esse blog nasceu com essa intenção e fico muito feliz ao ver que estamos no caminho certo.

Hoje gostaria de falar um tiquinho sobre uma pessoa por quem nutro grande amor fraterno: Klecius. Foi e é um dos primos mais doce dos que tenho. Como todo mortal tem defeitos mas tem inúmeras qualidades também.

Acredito que tenha sido o primo mais próximo de mim durante minha adolescência. Nunca me escondeu nada, ao contrário, talvez tenha sido a pessoa que mais me informou e explicou os "segredos da vida". Não me sentia envergonhada com ele.

Um dia se deparou comigo com os olhos estatelados diante de uma revistinha que encontrei na casa da cidade da vovó: "Que foi Waninha?" Não me lembro de ter respondido pois estava perplexa diante das imagens incomuns para quem iniciava adolescência. Ele, correndo atrás de outros primos (para fazerem sei lá o que, pois estavam sempre correndo) é quem parou quando me viu estancada com a "tar" revista que encontrei no porão da casa. Não estava conseguindo entender nada.

Com aquele jeitão de quem na maior parte das vezes vê o que a maioria não vê, parou e me fez a pergunta acima. Recordo-me dos chamados aos berros dos outros primos: "Vamos, Klecius", mas não se abalou. Se aproximou e me perguntou se podia ver o que estava olhando.

Entreguei a revista e, confesso que minhas lembranças estão um tanto embaralhadas nesse momento, mas me recordo dele falando: "Olha, isso tem uma explicação. Se quiser, depois explico para você, tá? Agora eu tenho de ir com eles e vou levar a revista. Prometo explicar quando voltar." Olhei para ele tentando imaginar o que ele teria para explicar e lá se foi correndo pelo quintal da vó.

Quando voltou me procurou e perguntou se podíamos sentar lá fora para conversar e lá, no quintal, começou a falar, falar, falar na tentativa de tirar minhas dúvidas; de vez em quando mostrava a revistinha e dizia que não era para me preocupar e que aquelas revistinhas nem valiam a pena. Não me lembro de suas palavras ao certo, no entanto, lembro-me perfeitamente que pôs um ponto final em minha perplexidade como prometera. Aliás, a sensação que guardei era a de que se o Klecinhos falou é por que não haveria nenhum problema!
Curiosa essa nossa empatia. Nunca falei ou questionei o fato dele gostar de beber mas sempre me preocupei. Não queria ver as consequências daquilo 'nunquinha' pois seria muito doloroso. O Klecinhos gosta de dançar, tem ritmo, é leve e sabe nos conduzir com segurança. Era gostoso dançar com ele. E graças aos bons céus , pude sentir isso em dois ou três passos no salão durante o casamento do Weber. É brincalhão, sabe jogar futebol, sabe nadar, brincar com crianças e olhar quem está só. É companmheiro para comprar pão, para desatolar e empurrar carros, queimar a perna em canos de escapamentos de Kombis, dá bons conselhos assim como boas gargalhadas. É trabalhador e adora pratos exóticos. Capaz de acordar 3 horas da manhã para levar meu pai para comer uma iguaria as 4 horas no mercado e por aí vai. Seria capaz de escrever um rol de qualidades desse rapaz. Era um anfitrião perfeito para meus pais, fato que comentavam sempre e hoje, minha mãe ainda o faz.
No dia 16 de julho de 1974, estávamos sentados próximos a imensa churrasqueira feita para as bodas de ouro de nossos avós e conversávamos sobre qualquer coisa. Ele estava triste, muito triste com alguns episódios vividos, porém não os mencionava de jeito nenhum. Também, cá entre nós, não era necessário, afinal eu os tinha vivido também. Repentinamente, com um copo na mão abaixou-se e pegou no chão misturado a terra, uma moeda de um centavo (não sei se de cruzeiro ou cruzado e isso não é importante) e me disse que gostaria de marcar aquele momento com um símbolo por mais insignificante que aquele pudesse aparentar. Na verdade hoje penso que foi um dos presentes mais valiosos que recebi pois estava carregado de carinho, de fraternidade, de cumplicidade nos maus momentos e de compreensão sem necessidade de palavras. Guardei a moeda e está comigo até hoje e assim permanecerá.

Na última vez que estive na Bahia, começo de maio, mamãe repentinamente falou-me: " Minha filha, estou preocupada com o Klecius, ele está triste. Não está bem." Na mosca! Eu tinha ficado conversando com ele e me contou sobre o acidente envolvendo 4 jovens que haviam morrido. Foi o primeiro a ser avisado. Eram pessoas conhecidas, filhos de gente próxima e que a única coisa que queria era impedir que Karyna, sua filha, sofresse quando soubesse, daí o fato de ter impedido que ela fosse acordada; era importante que acordasse naturalmente para depois entrar em contato com coisa tão dolorosa; no entanto, infelizmente, não conseguiu impedir que isso acontecesse. Sabia que seria um dia longo, muito longo para ela e estava muito chateado...

Contei isso para minha mãe, mas ela não estava convicta de que fosse só isso. Só sei dizer que uma semana depois ele teve um problema grave cardíaco e cerebral. Ficava pensando no quanto aquela família iria passar. No quanto ele iriam sofrer com crises de abstinência, entre outras coisas.

Temia seu conhecimento farmacológico, afinal se há algo que entende é de remédios, certo? Puxa, como ele deve ter ficado chato, grosso, sem paciência, irritadiço, teimoso. etc. e tal, assim como ficou meu amado quando enfartou e ficou insuportável por não fumar feito uma caipora. Minha vontade era de jogá-lo fora no lixo, como diz Sandra de Sá.

Não gostaria de saber que ele não esta cumprindo com o que os médicos pediram... Que não esteja andando... Que não esteja levando uma vida, agora, mais saudável.

Se, continuar sendo o Klecinho doce, carinhoso, afetuoso e de palavra deverá, sem dúvida, estar se cuidando com o zelo necessário pois sabe que há muita música para ser dançada ainda.

Juízo moço da moedinha, viu?