Parentes queridos parentes
O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.
23 de jul. de 2010
e a MS já deu a largada no Rally dos sertões
11 de fev. de 2010
Continuo "capaiada"
Está sempre nos ajudando como bom cowboy que é.
No entanto, para aqueles que não o conhecem verdadeiramente, é bom fazer um agradinho de vez em quando, sãb..? Pois não vocês não têm idéia do que possa acontecer.Meu carinho, meu respeito e minha admiração, meu irmão.
16 de mai. de 2009
É necessário não me perder de minha proposta inicial.
Para quem conhece meu irmão verdadeiramente sabe que ele puxa conversa com os tipos mais inesperados, que é muito observador, mas não faz disso uma bandeira, que é o primeiro que vê o diferente com sagacidade, é capaz de dançar conforme a música como poucos, que com jeito é capaz de ensinar através de desafios curiosos, que muitas vezes não demonstra saber muito, mas é o que não foge de nada nem de ninguém, e por aí vai. Apesar de muitos pensarem o contrário é capaz de ajeitar qualquer coisa. Gosta de coisas arrumadas mas não encontra tempo para fazer tudo que gostaria. Se envolve em situações onde ninguém mais se atreveria. Não gosta de dizer não, não aguenta comentários infames, tem sempre uma piada pronta, principalmente em relação a ele mesmo. Sabe rir de si mesmo sem se sentir diminuído e é muito inteligente.
De todos nós, talvez seja o que mais conseguiu guardar dentro de si a criança e o adolescente que foi. Até hoje tem sacadas geniais e nos faz rir muito. Isso é sensacional ao meu ver. Se envelheceu por fora, por dentro continua o mesmo. Como irmão, quando éramos pequenos foi do tipo "difícil". É duro ter um irmão com as qualidades acima descritas e que nos olha intrigado repentinamente e nos diz "sem maldade": "Sabia que você parece um cotonete de canhão?"; Ou, "sem maldade também", quando a Wanilda foi ao banheiro pedindo um tempo na brincadeira de cowboy, e ele "esqueceu" de avisá-la que visitas tinham chegado e estavam na sala. Deixou-a passar como se nada fosse sabendo que ela estava "pronta para matar". Ao voltar, a Wanilda, com estratégias elaboradas e pronta para continuar a luta, parou no umbral da porta da sala de visitas, fazendo pose e olhar de cowboy "sacou seus dedos dos coldres e atirou em todas as visitas" enquanto ele, o Deco, gargalhava acintosamente. Pergunto: precisava rir tanto? São tantas as histórias que dariam um livro. Há uma que considero lapidar que foi o dia que pegou a Ly na escola (ela tinha uns 8 anos). Ela saiu da escola chorando copiosamente e ele com sua calma perguntou o que havia acontecido. Ela respondeu que havia perdido no futebol. Com toda a sua didática , André falava: tudo bem! isso acontece! é assim mesmo! e blá, blá, blá. Até que lembrou-se de perguntar: Afinal, perderam de quanto? E ela: "de 40 X 0". Ele um tanto perplexo dizia: "Puxa!" E ela, continuou: "O pior, Deco, é que eu era a goleira". Ele: "Ah! então, Ly, chore, chore muito..."
Há uma expressão em nossa família nascida do nome de um dos nossos tios que é muito usada para identificar o sujeito habilidoso que é: "Ele um libardim ou libardinho". Quando as pessoas apontam alguém e falam isso elas querem dizer que esse alguém é muito parecido com o tio Willibaldo que era capaz de consertar, criar, modificar, transformar, reaproveitar, reciclar qualquer coisa em outra coisa mais útil para o momento. Sempre calado e muito concentrado era um ser humano extremamente hábil com qualquer coisa. Pois meu irmão André foi apontado diversas vezes como um "libardim" (há vários em minha família) mas pelo que vivi e vivo com ele, há poucos com tanta paciência. Esse irmão me ensinou muitas coisas: desde dicas como fazer e deixar de fazer algo, como, por exemplo, fazer um Opala vermelho bem velhinho, que insistia em morrer na Rebouças nos horários do rush, a renascer e chegar ao destino. Me ensinou a não temer uma furadeira, a observar em minha volta tentando encontrar a solução; a como me controlar diante de situações-limite, a aguentar calada o que exigia berros meus e até a dever na praça (para ele mesmo, inclusive, e que nunca cobrava) sem me sentir humilhada. Me defendeu, me apoiou, acreditou em mim quando muitos já haviam deixado de fazê-lo. É um irmão e tanto. Destemido, mas sensato. Presente em todas as situações difíceis ou não que cada um de nós viveu e vive. Há coisas nele que me lembram muito minha mãe, tais como: acreditar em projetos, apoiar qualquer decisão e a ter paciência na perda e no ganho pois sempre haverá uma saída. Viajei muito com meu irmão e graças a isso sei enfrentar situações muito delicadas com segurança. Sei tirar carro atolado em areia fofa, a dirigir em lama, na água, em estradas de grande velocidade ou não, de muito trânsito ou não, com muito buracos ou não. Talvez essa seja uma das coisas que melhor faço: dirigir. Tenho muita segurança nisso por tudo que já vivi e pelos professores que tive: Tios e meu irmão. Nunca deixei de ouvi-los. Cuidado, Wania. Não coloque o pé na embreagem durante uma curva. Atenção na estrada e nas laterais dela. Não descuide da zona neutra dos carros etc e tal. Talvez, por isso mesmo, eu tenha evitado um acidente medonho com minha mãe no carro durante uma noite voltando para São Paulo. Mesmo na lua nova eu vi à distância um carro parado e alguém abrindo uma porteira. Foi um flash: Vi algo brilhando no alto que me fez perceber serem os olhos de um animal vindo em nossa direção. Iríamos bater e uma porção de vozes, inclusive a de meu irmão, surgiram em minha cabeça dizendo "é melhor acelerar do que freiar", foi isso, então, que fiz ao invés de freiar acelerei na tentativa de não ser alcançada pelo cavalo. Consegui, mesmo sentindo a boca do animal batendo na capota do carro. Parei logo a frente pois estava tremendo da cabeça aos pés (além disso minha mãe tinha pedido tanta proteção a tantos Santos - de Nossa Senhora Aparecida, até Santa Terezinha - dentro do carro que era necessário deixá-los sair). Preocupei-me em ver se o cavalo estava machucado, engoli a vontade de xingar a pessoa que abriu a porteira e cheguei em casa ainda abalada pela possibilidade do acidente que não aconteceu.
Meu irmão sempre nos deu segurança, tranquilidade mesmo em momentos difíceis que tenha passado ou passa. Seus filhos devem sentir orgulho do pai. Um pai moderno que ajuda a minha cunhada em serviços de casa sem se sentir menos homem por conta disso. Um homem que brinca com vizinhos, com os primos e com os sobrinhos com o maior carinho. Por mais cansado que possa estar não consegue dizer não para os pedidos que são feitos mesmo após as 21 horas, quer seja para atender uma irmã em caso de necessidade com um carro pifado ou que pede ajuda histérica contra um rato, uma barata ou coisa que o valha. Tenho muito orgulho de meu irmão, aliás, creio que possa falar por minhas irmãs também: Nós temos muito orgulho do irmão que temos. Para nós ele sempre foi O irmão. Obrigada, André. Voltarei a falar de algumas peripécias suas pois elas merecem registro, tá?

