Estive pensando em muitas situações vividas por nos em nossa família que nos ajudaram no minimo a amadurecer.
Ontem, mamãe nos contava (para Mauricio e eu) que curiosamente a única coisa que a avó Hilda sabia fazer ao casar era dançar muito bem. Achei o máximo essa frase. E cá entre nos fiquei orgulhosa da vó Hilda.
A mamãe explicou que a bisavó Laura tinha uma irmã solteirona* (que esqueceu o nome) que não deixava ninguém fazer nada na casa e que isso deve ter contribuído para o pouco conhecimento de nossa avó sobre os afazeres domésticos no inicio de casada, pois depois não havia o que não soubesse.
Segundo minha mãe as prendas domésticas ela foi aprendendo aos poucos, inclusive a costurar. (Isso reforça minha tese de que é desnecessário saber desde pequena a cozinhar, lavar, passar, etc e tal) Quem a ajudava muito era a bisavó Melica, sua sogra e tia Sebastiana. Para aprender a costurar, por exemplo, desmanchava uma camisa cuidadosamente e ao tentar montá-la esbarrava na dificuldade da manga e lá ia ela atrás da sogra, a quem recorria para fazer isso e outras coisas.
Ser dona de casa naquela época era no minimo um exercicio de guerra; do sabão a costura tudo passava pela dona de casa. Credo! Tenho horror a saber disso.
A única coisa que vovó dava conta na boa era ser professora (tinha de ser, né?). Contou a mamãe que certa ocasião estava dando aula quando chegou um peão sobrinho dela e falou:
− “O dona tia Hilda, onde estão suas filhas?”.
Vovó respondeu:
− “ Ora onde é que haveria de estar? Na fazenda...”
E o peão sobrinho:
− “Tão não. Encontrei agorinha as duas juntas da sua empregada caminhando em direção da casa do Seu Vencico”
(Em tempo: As filhas em questão eram a Tia Waldyra com uns 6 meses e a mamãe com quase dois anos.)
A vovó pegou seu cavalo, montou e partiu para a fazenda do Vencico. Antes de lá chegar viu as três. Parou ao lado e disse:
− “Me dá a Waldyra. Agora pegue a Waldete no colo e caminhe na minha frente que eu quero ver como você vai andar”.
A fulana reclamou:
− “Ela é muito pesada, dona Hilda”
− “Não tem importância você descansou na vinda trazendo só a bebê. Vamos!”
Em lá chegando disse para a moça:
− “Você pare aqui. Vou pegar suas coisas e nunca mais torne a pisar no terrerão.”
Achei genial a postura de nossa avó. Não perguntou nada, não deu bronca, nada. Apenas agiu com a segurança de uma mãe, certo? Nessa ação ensinou Deus e o mundo, creio eu.
Perguntei se o vovô não achava ruim o fato dela não saber fazer as coisas no começo de casada. Ela contou então que bem ou mal ela ia se ajeitando, só não conseguia matar uma galinha.
Um dia ela foi pedir para a vovô torcer o pescoço da penosa e que ele, na frente de visitas falou: "Veja se aprende logo a matar galinha, siô!" A vovo saiu da sala mordida e nunca mais pediu para que ele a ajudasse; e não primeira oportunidade que teve para matar a galinha imprimiu tanta força que arrancou a cabeça da penosa (acho que ela estava com raiva...)
Ficamos conversando um tempão até o Maurício perguntar quando ela morreu. Aí a mamãe falou: "Graças a Deus morreu antes do Libaldo morrer. Ia ser muita dor, não iria aguentar..."
Fecha a cortina!
No próximo post... cenas de tio Willibaldo em minha memória.
Aguardem um tiquinho para falar sobre ele, ok?