Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.

11 de jan de 2010

Para alguem que gosta de dançar 1

Já faz algum tempo pedi para as minhas primas de Campos do Jordão tentar saber junto à mãe delas, tia Wayne, qual era verdadeiramente a diferença entre Almeida e Brandão.
Desde pequena ouço uma classificação curiosa em família que é dizer: "Fulano é totalmente Brandão, mas Beltrana é Almeida sem tirar nem por". Apesar de muito intrigada nunca cheguei a perguntar objetivamente a nenhum de meus queridos parentes.

Com o advento do blog e minha tentativa de deixar os bons exemplos registrados reativei a curiosidade.
Passado um tempinho, a Flavia me enviou as seguintes palavras de tia Wayne (irmã de minha mãe Waldete):


"Duas famílias diferentes, mas que nos completaram para que fossemos singulares. Os Brandão levando dentro de uma pachorra a vida com carinhos que tinham quando éramos crianças. Os Brandão não tinham aquela organização dos Almeida, mas distribuíam proteção e companhia.
Os Almeida impecáveis, deixando os bancos da cozinha lindíssimos, a horta varrida e mantendo o nome do pai dentro de uma conduta exemplar. Eram também tranquilos para nos levar adiante com carinhos de quem já tivera um pulso firme para que fossemos dignos em tudo.
Consegui ver a meiguice de Tia Mariazinha e de tia Ursulina. O desprendimento da Laurinha e a preocupação de Tia Zilda se íamos ficar lá, ou se íamos comer na casa da irmã, pois o marido (creio que o nome q ela escreveu aqui é Lodonho) dentro de sua pão durice deixava Tia Zilda com o mesmo valor.
O Joaquim Soldado em afronta para o Vovô Quim, foi um maridão para tia Mariazinha, leal, espontâneo e amigo de todos. Todos nós o adorávamos com sua voz alta, seu bule na mão enquanto tinha café. " 


Conta Flavia que: "ele monopolizava o bule... Disse a mamãe, que tinha a xícara numa mão e o bule noutra. Colocava o café e bebia, colocava café, bebia... e assim até acabar o café e ninguém mais bebia!!!". Igualzinho Tio Wilton, (irmão de tia Wayne) que nos mandava fazer limonada, e quando ia com o copo, ele pegava a jarra e bebia nela mess. Ele sozinho com a jarra, e nós, mais ou menos uns 6, com somente um copo pra dividir!



Continuou: Ela me contou que esse Tio Joaquim (Soldado) quando pediu tia Mariazinha em casamento, a família ficou em "porvorosa", pois ele era um SOLDADO!! E que quando foi pra eles casarem, o pai dela (esqueci o nome), avô de nossas mães, ficou doente e o Vô Dito montou um altar pra que Tia Mariazinha casasse dentro de casa pra que o pai pudesse participar do casório.
Minha priminha terminou dizendo: "Depois tem mais. Creio que terei que comprar um mini gravador.... Minha mãe lembra de histórias deliciosas.... e faaaaaala mais que a boca.
O relato continua, mas resolvi parar por dois motivos: O primeiro é que a Flavia conseguiu algo raro que é mostrar nossa família proseando sem parar mesmo através da escrita e em segundo para fazer algo que venho procrastinando faz tempo (vide videozinho "Procrastination" abaixo).

Independentemente de saber a verdade classificatória havia outro interesse que me corroia por não ter dado tratos a bola ainda: Minha tia Wayne.
Incrível, mas essa é uma das minhas tias-modelo (todas foram e são). Observação: quando falo em modelo me refiro a molde, algo ou alguém que serve ou pode servir de modelo ou de exemplo, ok?.
Por isso esse post será dividido em duas partes, como foi o caso das meias de seda.

Eu queria ouvir a voz de minha tia, seu jeito, torná-la presente em minha vida novamente, pois faz muito tempo que não nos encontramos. E foi assim, através da escrita e da Flavia, que consegui fazê-la presente e chacoalhar minha memória.

Penso que já começou a funcionar, pois nunca consegui pensar nela sem sorrir. E é isso que faço nesse instante.

Pessoal, Desculpe-me pela lerdeza mas o post adquiriu vida proria e se bagunçou um tanto. Agora está ajeitado. Se observarem algum erro me avisem por favor.


6 comentários:

  1. Wania,
    Vou renovar o convite. Venha passar um final de semana conosco...vamos dar boas risadas com as lembranças das duas juntas.
    Minha mãe continua com o mesmo alto astral de sempre e a memória afiada.
    Bjs

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  2. Cacete de saudade.
    Estou procrastinando vir aqui.
    Fico meio down quand leio estes "remembers"
    Lembro do tio Ze Ireu elançando a tia e ropiando nos bailes do clube...
    Cheiros mil para todos que amo.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. É mesmo Tatinha, como era bom ver o tio dançar e nos fazer dançar! Não tinha preguiça e era uma animação só! Wania precisa escrever sobre os bailes de debutantes de Paraisópolis! Gente, quantas boas lembranças!!

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  5. Gente, estou primaveril hoje...colocando um monte de florzinhas no blog

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  6. A saudade mata a gente, morena. A saudade é dor pungente, morena. Mas esta saudade é gostosa....Dá pra ver a tia gesticulando e ouvir a sua voz. Passou para a Flávia as características mais marcantes de cada lado da família e a Flávia soube, muito bem, descrever a conversa. Era muito bom ver os dois dançando a noite toda....davam um "show" de elegãncia e técnica nas pistas de dança.
    beijos

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