Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.

8 de jan de 2010

A mamãe, eu, os Brandão e os almoços

Já não é de hoje que peço a minha mãe que relate o que ela se lembra dos Brandão (o lado da nossa avó Hilda, the star). Há muito a ser lembrado e exposto mas é importante ir "devagar com o andor pois o santo é de barro". Não quero que ela misture fatos e dados, então é necessário esperar ela parar de rir primeiro para depois ir contando as histórias vividas entremeadas de novas risadas. Sem querer ela escolheu o almoço para contar o que lembra  A Maria e eu ficamos aguardando com paciência (com medo que engasge) para no final rirmos também.

Ontem ela contou de uma festa de 25 anos de casado (acredito que seja de avó Dito e avó Hilda). Baixou o mundo em Paraiso como só poderia ser. Tia Jenny (sabiam que o nome se escreve assim? Até hoje acho estranho) foi a encarregada de ver lugar para o povo todo. Foi um tal de colocar fulano num quarto , beltrano em outra casa, sicrano sabe-se Deus onde  só sabe dizer que foi uma trabalheira danada a que a tia assumiu, até que, perplexa, notou que não tinha sobrado lugar para ela... E toca a rir enquanto a Maria e eu perguntamos: Coitada, mas onde ela dormiu, então?
E da-lhe risada! Até que ao final e ao cabo descobrimos que ela dormiu em cima da mesa na sala de jantar... Quer mais? Isso é que é hostess, fala a verdade.

Hoje, quando sentei a mesa para o almoço ela já estava rindo... Que foi, mãe? perguntei. Estava aqui lembrando do dia que viajei de trem com tia Marocas (Maria Brandão) para Belo Horizonte para encontrar tia Filinha (Ormila Brandão) e voltar  para casa. Não houve meio de saber o que elas foram fazer em Belô além de pegar tia Filinha.

Segundo ela, lembra-se bem do tio Lincoln a toda hora dizendo: Não põe o braço para fora, Waldete. E ela, não entendia o que ele tentava dizer. Para fora de onde? Demorou um tanto para que pudesse entender...

Mas, enfim, o auge foi a volta.  Fiquei imaginando a cena e deu para ver claramente a situação. Ao chegarem na estação havia um trem parado e tia Marocas decidiu que era aquele o trem para Paraiso , entraram, sentaram e partiram. Quando o (branco!!!!...não me lembro como se chamava o senhor que vinha verificar as passagens) moço ao pegar as passageens disse que estavam enganadas, pois o trem onde estavam ia no sentido contrario ao que pretendiam ir. Nessa hora a tia Filinha começou a cutucar a mamãe e a a dizer: ó...ó..ó.. só a cara da ´Maroca`...ó! A mamãe fazia um esforço danado para não rir e tia Filinha a insistir: "Vê se pode, oia só a cara da Maroca!" Pararam na estação seguinte, atravessaram para o lado de lá e tia Marocas quieta; entraram no outro trem e as duas continuavam iguaizinhas: Uma falava ó...ó...ó a cara da Maroca e a outra muda. A mamãe? tentava parar de rir... Vai se a coisa virasse para ela, não é?

Terminou dizendo: Sabe que passei dias indo pra frente e pra tras? Acho que era o balanço do trem, né? Nunca tinha andado naquilo

5 comentários:

  1. Hostess?? Põe hostess, produtora , planejadora, organizadora nisso...
    To eu rindo aqui imaginando a cena do trem. Maravilha! Adorei!!

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  2. Saudades delas, gente!
    Cada uma "Meu Tipo Inesquecível" de Seleções Reader's Digest.
    Vívidas em nossa lembrança!
    Adorei escutar as histórias, Waninha.
    Valeu!
    Agradeça à Waldete pela riqueza da memória, que nos proporciona fazer essas viagens no tempo.
    Beijão!

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  3. Lembro da primeira visita da Soraya no reduto das MENINAS, A tia Jenny por pouco não colocou um fim no inicio de meu namoro, aquela mania de colocar as pessoas com as costas viradas e presa à uma parede para manter postura, ninguem merece, ela fez questao de colocar a Soraya e tentar fazer dela uma Gisele Bundchen em apenas 10 minutos, a tia Marocas tentando filar cigarro sem parar sempre procurando manter uma discrição para a Jenny não saber, ou seja, ela pedia um cigarro de 15 em 15 minutos e não satisfeita, acabou ficando com o maço da Soraya entre uma e outra pedida, e manteno aquela carinha que a tia Filinha comentou com a mamãe, e que por sinal também uase deixou ela louca, em todo momento perguntando como voce se chama mesmo bem? Que saudade que dá não!!!!

    Beijos.

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  4. Tantas histórias!
    Descer aquela ladeira para cumprimentar as "meninas" são passos que não esqueço. Entrar varanda a dentro, passar pela porta e encontrar tia Marocas sentada,fazendo chales de frivolite(creio que seja assim que se escreva),o piano (La Cumparcita,tocada por tia Filinha e a exigência para que eu tocasse Sobre as Ondas), a namoradeira, a tampa no assoalho para chegar ao salão da tia Filinha que ficava no porão (dava um frio na barriga descer sem corrimão). Mas a tia descia e subia aquela escada com uma postura de atleta (era quando dava para ver os detalhes do sapatinho de pano xadrez que ela usava). Chegar muitas vezes na hora do café da tarde e encontrar amigos delas degustando aqueles sequilhos maravilhosos e manter uma pose bem comportada para que as tias ficassem orgulhosas de sua descendência..rss. O tempo foi passando, elas já não estão lá, mas ainda escuto suas vozes...Tia Filinha a oferecer mais um cafezinho, Tia Marocas perguntando da família e esquecendo de quem eu era logo após a pergunta. Da tia Jenny tenho mais lembranças de quando ela morava em Juiz de Fora e eu ia visitar a família do papai e da mamãe. Tenho também, na memória, uma visita que ela nos fez quando morávamos no Campo Belo.
    Saudades!

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  5. Wania,
    Mostrei a minha mãe esse post, ela também lembra dessa e já emendou um monte de outras...disse que demorava 2 dias pra chegar de trem e uma semana pra passar o efeito do balanço. Ela tbem lembrou de qdo sua mãe conheceu o Tio Walter. Parece que foi numa viagem a Pouso Alegre pra primeira comunhão da Celeste...lembre com sua mãe. Segunda a minha, sua mãe era ótima companhia de viagem e todo mundo a chamava pra ir junto.
    Essas duas juntas iria dar um livro.
    Bjs
    Fer

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