Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.

21 de jan de 2009

Meia de seda ou abrir o baile IV - O melhor da festa é esperar por ela!

Cada dia que passa, mais a frase "O melhor da festa é esperar por ela" faz sentido para mim. Aliás, acredito que para meus primos também. Essa é uma daquelas frases democráticas que minha familia usa muito, pois é boa para todos. Um baile não começa em uma hora de um determinado dia. Começa quando somos avisados que ele irá acontecer. Exemplo: Se hoje ficarmos sabendo que um baile vai acontecer no dia 5 de março, nesse exato instante ele começa. Não importa dizer que o Carnaval virá antes, que falta muito tempo ou que "Ah! Até lá..." (não suporto esse tipo de frase). O baile não sairá de nossa cabeça. Começamos a pensar quem vai, com quem vamos, como vamos e assim por diante. Cada detalhe era pensado e, mais do que isso, sentido. A Katya se expressou muito bem com seus comentários, pois eles eram a "nossa-vida-daquele-instante" e talvez por isso não os esquecemos jamais. As situações vividas por conta de um baile, e no próprio, foram tantas, que tenho certeza iria cansar quem se dispusesse a ler. Todos tinham nomes: "baile da primavera", "baile de debutantes", "baile do aniversário da cidade", "baile de aleluia" entre tantos. Porém, para nós eles todos eram uma coisa só: O Baile. Nele nos encontrávamos com aqueles que não viamos há tempos, conheciamos outros, agregávamos outros. Era muita gente. Tínhamos sempre mesa e era nela que todos marcavam ponto para deixar seus pertences, para sentar um pouco, para apoiar um copo, para dizer "ele chegou" ou "onde ela foi?" O interesse era imenso e em tudo. Como é bom se sentir interessado em tudo! Na minha lista das coisas de que tenho saudade, uma é a de sentir interesse por tudo. Isso é sinal de vida, de existência e de estarmos criando os nossos momentos. Infelizmente quando crescemos muito, ou seja, vamos envelhecendo, perdemos essa capacidade de ver florzinha com o entusiasmo e interesse de quem vê as coisas pela primeira vez. A impressão que dá é a de que é necessário se interessar por poucas coisas pois assim revelamos como somos sérios e responsáveis. Bela bobagem. Nosso interesse nos bailes era empolgante. Sabíamos o que fazer assim que chegavamos, ou seja, ir para o banheiro. Nós mulheres temos isso desde criança: não gostamos de ir ao banheiro sozinhas. Lá dávamos os últimos retoques; as felizardas se olhavam colocavam os cabelos para trás e caprichavam nos batons. Já as menos felizardas (eu me incluia nesse grupo) olhavam seus cabelos crespos e rezavam para não chover, não suar, não, não, não.... Até a hora de começar a dançar. Não me lembro de abrir bailes como nossa avó, mas sem dúvida fui a namorada musical de diversos rapazes e fechei vários bailes chegando a ser uma das últimas a sair. (Namorada musical= moças que sempre estão disponiveis para determinados rapazes que só conseguem ficar com você se for com uma boa desculpa e nada como a música dançante para isso) . Nesses bailes aprendi que podíamos conversar com olhos, que podiamos marcar encontros e, especialmente, saber quando um sujeito vem para conversar, tirar para dançar você, só você, no meio daquela mulherada toda. Curioso falar sobre isso e pensar o que minhas sobrinhas estarão pensando. Elas não aprenderam esse diálogo. São de outra fase, época ou era. Claro que deve ser legal também agir como elas agem, só que tenho dúvidas se os registros ficarão tão bem guardados. Tomara que sim. Quando um baile acaba? Normalmente em torno de 4 horas da manhã. O que fazer numa hora dessa numa cidade do interior? A resposta é: ir andando com calma conversando e rindo de tudo, chegar na padaria, implorar para ser atendida pela janela-basculante e comprar pães fervendo, um potinho de margarina, uma pazinha de sorvete e depois sentar na guia da calçada e comer um dos sete alimentos maravilhosos do mundo: um pão francês (como chamamos em São Paulo) quente, saído do forno com a margarina derretendo no pão e em nossa boca. Esse é um alimento que se come literalmente pela boca e pelo nariz. Uma noite perfeita!

4 comentários:

  1. Eu necessito fazer um comentário sobre este post. Mas no momento estou impossibilitada temporalmente e mentalmente.
    Mas aguarde. Ele virá. "O bom da festa é esperar por ela"

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  2. Volto a dizer : Ainda tenho muito o que falar sobre este post.
    Mas é que como é muita coisa que tenho para dizer, fico pensando se devo, pois muitos vão comentar :
    que eu falo demais ( ops, me lembrei de uma música da Maysa, com esta frase)(Como diz a Wania, ela está na moda)
    Mas voltando a frase " O melhor da festa é esperar por ela" não só aconteceu em um pasado longinquo, feliz e sem compromisso, como era nos tempos de nossa infãncia, mas ela é usada muito por mim atualmente. Muita coisa acontece hoje em dia, que nem as vezes nos damos conta de que " uma florzinha" alí no jardim está nascendo... mas precisamos dar uma pisada no freio e pensar que, o que se leva desata vida é a felicidade dos momentos bons vividos. Sei que estou saindo do tema, mas é que tenho usado muito em minha mente, ultimamente, que o " melhor da festa sempre foi esperar por ela"
    Tenho uma pessoa que sabe sobre o que estou falando.
    Os ensinamentos daqueles tempos servem também para os tempos atuais, e como servem!!!!!!!!!!

    Possa ser que ainda fale mais sobre essa frase.

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  3. Teve um baile de carnaval que estávamos na fazenda - Guto, Juliana, uma amiga da Ju, eu, Elys Valéria e Wania Cristina. Fomos pro clube, pulamos até dizer chega, e a amiga da Ju tinha carro, ela era uma Patricinha de marca maior. Bem, a chuva corria solta... Claro que a Ciça atolou! Na espera do Guto, que sabíamos, vinha vindo atrás, escutavámos o acelerador de um longíncuo carro. Passados uns eternos minutos, o Guto chega com a Wania, que também havia atolado, e era dela a aceleração!! Ela ficou de namoro até mais tarde em Pariss, e achou que fosse dormir na sua caranga! Lembra? Creio eu que foi nesse dia que vc se despediu daquele seu `amor´ impossivel e dramático. Não lembro o nome dele...

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  4. Mas eu sim... Tanto do namoro como do atoleiro. Mas família que atola unida permanece unida, não é? Beijinhos

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