Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.

7 de jul de 2009

A Jaci e o lixo. A Myle e a necessidade de ir ao banheiro.

Hoje algo que me transportou para um passado muito rico em aprendizagens. Máquinas do tempo? São necessárias? Não! Estão em nossas cabeças.
Uns 18 anos atrás fiz uma viagem muito interessante com primos queridos que me levaram para Itajaí numa camionete monumental. Antonio Jorge, Kenya, Weber, Jamyle, a Lidia e eu. Ou tinha mais alguém e esqueci? Bom, quando lá chegamos nos divertimos (como era previsto), passeamos a beça com primos de lá. Um dia fomos até a casa na praia que eles, moradores de Itajaí, frequentam.

Uma coisa que presenciei e jamais consegui esquecer foi que num dado momento estávamos todos entre salas e cozinha e a Jaci, irmã da Dalva esposa de meu primo Kleber, saiu correndo como uma gazela e gritando. Fui ver onde ela estava indo e peguei a seguinte cena: ela descendo uma ladeira correndo de maiô, com um saco de lixo de uns 100 litros nas costas (que eu juraria ser de 500 litros) atrás de um caminhão de lixo. A agilidade me impressionou. Fiquei me perguntando uma série de coisas, tais como: por que correu? por que não deixou para amanhã? e se caisse? etc. e tal. Em minha reflexão ficava me dizendo não faça isso, Wania, não se exponha pois as consequencias poderão ser graves... Nunca esqueci essa passagem. Já cheguei a dizer pra quem estivesse numa situação similar: "para que correr como a Jaci? amanhã ele volta..." O inesquecivel mesmo para mim foi o silêncio da Jaci voltando com um sorriso de satisfação que revelava o "eu consegui" com orgulho de si mesma.

Pois hoje me vi na mesma situação: com pijama, um roupão velho semi aberto pelo cinto mal colocado gritando feito uma cacatua da Birmânia: espeeera! tem liiiixo! Maissss! E 4 vezes corri pelo corredor ao lado da casa para parar o caminhão, pegar tranqueiras e dar para um intrigado lixeiro um banquinho desfolhado, cestas inúteis, pregos enferrujados, tábuas molhadas e outras coisas irritantes que são sobras de reformas. Quando entreguei tudo, respirei e sentei na cozinha falando para minha mãe: eu (não consegui pronunciar VOU) morrer... nossaaa, tô frouxa, absolutamente frouxa, mãe. Ela por sua vez deu uma risada como se dissesse: não vai não. Eu disse: Mãe, fiz igual a Jaci, só que não era uma gazela e sim, um hipopótamo de roupão. Levei muito tempo para me recuperar fisica e moralmente, inclusive.

Quando estava no banho lembrando do mico, meu pensamento voou novamente para Itajaí e lembrei da situação vivida por nós, os curiosos, que fomos para um morro e lá de cima admirar os nudistas. Não dava para ver nada, ficamos frustrados e entramos na camionetona para ir para outro lugar. Meu primo Kleber dirigia e percebeu que não haveria possibilidade de manobrar a não ser descendo até a praia dos ditos cujos. Elegantemente ele nos falava: disfarcem pessoal, temos que ir até lá embaixo para virar a camionete. Lá chegando fomos recebidos por um manobrista mau encarado e que só sorriu sarcástico quando percebeu o tamanho do veículo. Se nossa intenção era ser discretos demos azar. Jorge teve de descer e pedir: vem, vem, vem mais. Agora para lá... isso, mais, mais, chega... Nunca vi um lugar tão apertado. Nós, dentro do veiculo ficamos vendo pessoas nuas de todas as formas tentando sorrir feito bocós (e não gargalhar como tinhamos vontade) como se tudo estivesse normal. Finalmente a camionetona ficou de frente para a saída e aí, então, a pequena Jamyle disse para a mãe (Kenya): Mãiinha, quero fazer xixi! A Kenya arregalou os olhos e afirmou com segurança: Ah não! Vamos para casa, ou então paramos lá em cima, na estrada, mas aqui não vou entrar. Dois segundos depois, como toda boa mãe que se preze desceu do veiculo e foi num restaurante ao lado perguntar sobre banheiro. Me lembro de ficar com pena da Kenya pelo constrangimento e acompanhá-la com o olhar de que estava ao seu lado dando-lhe apoio. De repente, bem ao meu lado havia um senhor passando muito óleo no corpo e nos olhando. Lidia e eu ficamos perplexas. Ele passava óleo na parte genital com muito empenho. O Kleber disse: Waninha, disfarce. Tentei, juro que tentei, no entanto, fiquei incomodada com a quantidade de óleo que passava no penis imaginando se seria saudável. Minha vontade era de abrir a janela e dizer: "Não seria melhor um bloqueador 280, senhor?" Até hoje fico imaginado como aquele pinto estaria no final do dia. Boa coisa não deve ter sido. Coitado! Nesse momento a Kenya voltou e lembro-me de ter perguntado se os garçons estavam nus ao que ela respondeu: "Não. Estavam todos de avental."

Foi muito boa aquela viagem. Aprendi muito e até hoje aprendo com experiencias vividas no sul.

17 comentários:

  1. Depois que eu for trocar de calça, calcinha e afins volto para comentar... pois fiz xixi na calça agora de tanto rir!! Ainda estou rindo e se eu não parar, acho que vai ser mais estrago aqui ainda!! hehehehehheheheheheheheheheheheh
    Ô.... coisa!!!!
    É aquela coisa que "lembrei e comecei a rir"

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  2. Wania, belo passeio tto o de Sta Catarina como o de voltar no tempo e lembrar esses "micos" que passamos ao longo da vida. Imaginei a cena todinha. Mto bom!!!
    Qto ao lixo, vejo essa cena sempre que vou na casa da minha mãe pela manhã. Até hj ela não se conforma de perder o lixeiro...e eu como boa filha aprendi a lição...não saio correndo atras dele não, outro dia ele passa. Sem stress.

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  3. Bom... voltei e a risada ainda persiste!!!
    Wania, a cena foi descrita de tal forma que, conhecendo você, Kleber, Kenya e Jorge... imagino o que não foi isso!!!
    Aliáisssssssssss A DIDI!!!!!! Gente, vocês não imaginam o que a Didi deve ter falado sozinha, e as cotoveladas que a pessoa que estava ao lado dela deve ter tomado.
    São fatos como estes que nos fazem ser pessoas felizes, mesmo não tendo vivido, mas só o fato de imaginar, já dá para dar boas gargalhadas aqui.
    O Jorge gaiato deve er feito mil palhaçadas, junto com a "seriedade e as costas reta" do Kleber, sim pois o Keber nem virar o pescoço deve ter virado, com aquela elegancia das costas retas e o pescoço duro para frente, só os olhos devem ter movidos e a boca quase fechada para que os turistas não vissem ele dizer : - Disfarça Wania!!!!
    A cena é hilária...

    Agora falando do lixo.... Wania, "no coments"

    Por acaso a que horas foi isto???? Ao 1/2 dia?? Você já estava "desperta"? Porque ao que eu me consta, precisa de vááárrrrriiiiassss xícaras de café para você "ser gente" de manhã... e ainda mais "abrir a boca" para gritar???

    Ai...ai...ai... Será??? heheheheh quem diria...

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  4. Quem teve e tem o PRIVILÉGIO de estar perto de Kleber e Jorge juntos, pode estar na maior deprê (isso ainda existe Aline?) que fica curado! Delícia ver esses 2 juntos. Um pecado a distância separá-los...
    Agora imaginem a cara da Wania? Eu consegui! E estou indo tomar banho, pois só a troca de calcinha não foi suficiente!

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  5. Dessa vez não posso deixar de comentar. Realmente essa experiência nos faz rir até hoje. Principalmente quando lembramos a "cara moralista" de Kleber e a de satisfação de Lydia.
    Quando entrei no restaurante com Myle e Cristina, dei de cara com um outro senhor (totalmente despido) de mãos dadas com o seu filhinho de forma bem natural e tranquila, percebi que a maldade realmente está em nossas cabeças... mas o que podemos fazer se assim fomos criados!!!
    Essa experiência me fez lembrar também de outro episodio vivido por nós recentemente: fomos (Jorge, eu, Myle e Lydia) assistir aí em São Paulo a peça teatral - Dona flor e seus dois maridos. Como todos já podem imaginar teve partes em que Marcelo Farias que fazia o papel de Vadinho (um dos maridos de D. Flôr) aparecia totalmente pelado. Estavamos na segunda fileira e assim wue ele apareceu Dinda (como carinhosamente chamamos ELYDIA) abre a sua bolsa e pega o seu óculos para poder ver melhor!!!! Imaginem a gozação que fizemos!!!!

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  6. Waninhaaaaaaaaa!
    Estou que não me aguento....não sei se vai dar tempo de chegar ao banheiro.....! Fico imaginando a cena e não consigo para de gargalhar.
    Agora, entendo perfeitamente você. Moro em apartamento (como sabem) e não posso deixar o lixo aqui dentro (principalmente por conta dos cães). O lixeiro passa às terças, quintas e sábados sem horário definido. Um dia é no fiofó da manhã, outros na meio do dia ou no finalzinho da tarde e não podemos deixar o lixo fora no dia anterior ou por muito tempo por causa de regras do condomínio para que não haja sujeiras esplalhadas. (alguns catadores resolvem seus problemas nos deixando outros). Então, aqui onde moro tem campeonato de corrida com lixo.... um monte de mulheres e homens (na maioria aposentados, uns velhinhos fofos)com sacos de lixo atrás do caminhão. Deixamos na lixeira só o que se pode reciclar. E aproveitamos para fazer um exerciciozinho)
    beijos

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  7. Minhanossasenhora!!! to rindo até agora! Primeiro pela hipopotama de roupão, rsrsrs, fico só imaginando a cena... e depois, o episódio da praia do pinho. Coincidentemente comente com uma cliente minha sobre esse episódio esses dia. Lembrei bem da cena do cara, na maior cara de pau, passando oleo do ditocujo assim q descemos do carro, foi a primeira imagem... e a cara da tia Lidia então? rsrsrsrs. Meu pai nesse dia, além da postura ereta, estava com 4 mãos... uma pra mãe e as outras pra cada filha! rsrsrs... e os olhos nas irmãs... Foi muuuuito bom, e está sendo ótimo lembrar de tudo isso com detalhes "quentes". A cena da tia Kênya com as meninas no banheiro tb lembro muito bem, eu estava junto, kkkk. Agora aquela praia esta bem mais séria, se é que posso dizer assim. Não que eu frequente. lógico, rsrsrs. Agora só vai lá embaixo peladão mesmo, e tem área pra família, solteiros, velhinhos, rsrsrsrs. Virou uma comunidade de nudistas!!!!! Vamos voltar lá? rsrsrsrs. Bjão! amei isso aqui!!!!!

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  8. Eu topo, Michelle. Vai ser muito bom pois alguns detalhes me escaparam e seria muito intrutivo reve-los. Beijoes :)

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  9. Mas tia... vc ta ligada que o negócio mudou né? rsrsrs. Agora temos q ir peladonas :)
    Mas se vc topa, vâmo que vâmo!!! rsrsrsrs Mas vamos de "gazelas" e não de "hipopótamas" tá? rsrsrsrs. Bjão!!!!!

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  10. Muito bom lembrar dessas histórias tia! A viagem realmente foi inesquecível...
    Mas a senhora esqueceu de um episódio muito marcante...lembra de seus biquinis e calcinhas??? Conta para todos...

    Beijinhusss

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  11. Já passei porisso mas era o tal homem do bloqueador..rs
    Beijos otimo final de semana

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  12. Olá,
    Estava blogando e passeando pela net e encontrei seu blog.
    Adorei, está lindo!
    Add como seguidora, tudo bem...
    Abraços e até!

    Evelyn Oliveira

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  13. Kenya, realmente a maldade está dentro de cada cabeça, seja para o bem ou para o mau... Para eles é normal ser naturalista. Uma filosofia de vida.
    Comente sempre, mesmo que seja somente para a gente saber que você leu. O blog é feito por nós da família. Vou gostar de ver você participando e colaborando na construção deste memorial vivo.

    Olavo, não me diga isso! hehehe Você então é uma testemunha viva para contar como fica/ficou o menino depois de um dia de sol! hahahhahahahahah
    Fico aqui imaginando esta cena e não posso parar de rir.
    Vocês são impagáveis!

    Evelyn, seja bem vinda ! Senta, vou trazer um “cafezim procê”
    Foi feito um post para recepcionar o Olavo, um menino possuidor de vários blogs inteligentes, como o dono!
    Dê uma passadinha por lá e leia como se fosse para você também

    Bom final de semana para todos!

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  14. Pensei que só eu tivesse memória assim tão boa! Estou dando risada até agora. Imprimi para mostrar à Jaci. Ela riu muito. Ela é assim até hoje e agora, o resto da família faz a mesma coisa (lá na praia). Estamos sempre de olho no caminhão do lixo, para não ficar fedendo até o dia seguinte e corremos como "gazelas". E essa da praia do nudismo........ Menina! Até hoje não lembro da cara no rapaz.... só dos outros detalhes......e que detalhes! Só um lembrete: Eu tive que descer do carro junto com as meninas pois precisei usar o banheiro também. Foi hilário demais e tua descrição foi incrível pois faz lembrar como se fosse hoje. Adorei! Beijos
    Dalva

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  15. Para quem conhece a família, sabendo como somos bobos para dar risadas de nossas aventuras vexatórias, sim pois, quando se trata de alguns membros da família, não basta passar pelo vexame, temos que vivê-lo intensamente,(vide "malditas pedrinhas") depois de um tempo a risada é certeira, por mais que o vexame tenha deixado marcas. Apesar de rir muito com este post, mas o que mais me deixou alegre, foi o prazer de ver por aqui três pessoas que me são muito caras : Dalva, Chelle e Mimia!!!!
    Foi muito bom ve-las por aqui. Sei que de agora em diante, os "zóis docêis" vão estar sempre por aqui.
    Dalva, se inscreva para poder saber quando tem novidades por aqui. Imagino você rindo das coisas que a Wania relata. Ela tem o dom de colocar de uma forma "tar e quar" a cena direitinho, não???? veja como ela descreve a Ly. Nunca vi um retrato falado tão perfeito.
    E agora isto é para todos : a participação de cada um é muito importante. Estou sentindo falta do Wander. Alguém dá noticias do DEC (desaparecido em combate)

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  16. Tatinha,
    Adorei o DEC! Eu sou fanática por nomear também! Por aqui por essas paragens tem-se vários "nomeados"... são nomes interessantíssimos, menina. Converso com Waninha ao telefone sobre umas coisas duns lados mais prus lados di cá, sã... de chorar de rir mesmo!
    Vai sê bão dimais a genti si incontrá, né não?!
    Beijão a todos!

    Mas, gente, cadê o DEC, afinal de contas?!

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  17. Menina, você não tem noção de como vai ser bão, tomara que seja logo, né?? Tenho lembranças de como seu sorriso é bonito...
    Somos mesmo umas "frouxas" para rir, né?? Até das topadas estamos tirando proveito para desopilar o fígado!!!
    Estava sentindo falta sua aqui também mocinha, sabia???

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