Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.

8 de mar de 2009

Verinha, o apresentador de TV e eu

Um dos e-mails mais emocionantes que recebi nos últimos dias foi o da Verinha. Crescemos praticamente juntas e sinto que nutrimos uma pela outra um carinho que transcende o parentesco. Vou contar uma das passagens de minha vida com a Vera em Caraguatatuba. Quase ninguém sabe disso e confesso que não sei se ela lembrará. Era comum passarmos alguns dias de férias em Caraguá. Eu ficava na casa da Tia Waleska e ela com seus pais e irmãos (acho que tinham casa por lá...). A Vera sempre foi muito bonita e desde cedo chamava a atenção das pessoas por isso. Eu, gorda, crespa e míope ficava a observar com ela lidava com as paqueras e como os paqueras não percebiam que ela era surda (favor observar o grifo). Sua rapidez para fazer leitura labial sempre me impressionou. As vezes ríamos da incompreensão dos rapazes da época que ficavam sem graça e perguntavam: "Vocês estão me gozando?" ...

Certo dia houve um agito diferente na cidade pois chegaria uma celebridade para fazer um espetaculo sei lá onde. Evitarei citar nomes por motivos óbvios, mas é só pensar um tiquinho no programa que tio Wylton adorava, apresentado por um sujeito chato, que se acha e fala berrando com uma voz que deve julgar ser fantástica.

Numa tarde, Verinha e eu fomos chupar picolé de côco e voltavamos sossegadas por um rua que não sei dizer qual é. Sem mais nem menos ouvi alguns comentários esquisitos do tipo: "Oh! que belas meninas. Humm, esse picolé deve estar uma delicia, etc e tal" (comentários que já eram cafonas naquela época). O som vinha atrás de nós como se alguém estivesse nos seguindo. Falei para Verinha, só mexendo os lábios que achava melhor andar mais rápido e ela, inocente, queria saber PORQUÊ? Para encurtar a história, esse sujeito chegou até nós e começou a paquerar acintosamente a Vera de forma gosmenta. Foi a primeira vez que senti o que era nojo por alguém.. Tentava encostar no braço e nas mãos dela dizendo coisas tais como: "Você vai me assistir hoje? Vou dar um convite exclusivo, viu? etc e tal...". Na época, nós deveríamos ter uns treze anos e não sabíamos de muitas coisas, no entanto, sabiámos o que era perigo de tanto nossas mães falarem "Não conversem com estranhos e não aceitem balas etc e tal" (hoje sei que convite pode ser igual a balas e bombons). Só pensava que ele era velho e nojento. Era casado e feio. E não me vinha nada na cabeça sobre o que fazer. Ele e seus assessores ficavam dando risadinhas... eca! E um chegou a dizer que irião dar um convite para a amiguinha dela (eu). Só sei dizer que algoo imperioso nos dizia para correr dali e foi o que fizemos. E eles? Ficaram dizendo outras coisas que me recuso a escrever. Até hoje, passado tantos anos não posso ouvir a voz do tal sujeito que me dá vontade de vomitar. Naquele dia percebi que o mundo tinha uma divisão: uns seres humanos são nojentos e outros não, apenas não usam crachá para indentificarem-se.

2 comentários:

  1. Fatos como esse, tenho alguns para relatar. Mas para ser sincera hoje estou sem muita vontade.
    Só gostaria de deixar aqui resgistrado que sei exatamente a sensação que esse tipo de coisa causa... Um deles foi meu primeiro beijo recebido no ROSTO, foi roubado e a sensação daquela boca molhada ainda tenho comigo hoje, quando lembro. Tinha 12 anos, estava com as duas mãos para trás, encostada em uma parede, na hora do recreio, no Luiza de Marillac, veio um "tar" de Cleber, correndo, tacou um beijo em minha bochecha, comecei a chorar estridentemente, que foi preciso 1/2 duzia de freiras para me acalmar... ai que nojo!!! Outra vez foi uma vez, na Faria Lima, não lembro com quem eu estava, mas devia ser com a Wanilda ou Wania... parou um carro preto daqueles que mede 20metros, na beira da calçada, abriu a porta do fundo e o cara de lá de dentro soltou uma cantada vagabunda, pensando que éramos de programa, pode??? Eu digo o nome sem medo, sabe quem era a coisa nojenta??? Sabe??? José Augusto. Estava despontando na época aquela coisa horrorosa de denduço. Cantava a musica Sábado. Pensava que podia tudo o nojento!Ai que nojo!
    Veja como tem coisas quem marcam, né???
    Verinha amanda, saudades de seus e-mails!!!

    Virgemmm e eu que não estou muito afim de falar...imagina se tivesse!!!

    façam de conta que : senza commenti!!! ( é que estou numa fase disposti ad essere in italia )

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  2. Nossa, e a curiosidade prá saber quem é?? Não vai contar não?
    Bjs
    Andréa

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