Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.

14 de mar de 2011

A barista Walderez



Tudo bem. Reconheço o abandono do blog.

Motivos há de sobra, mas não quero falar sobre isso no momento.
Para mim agora o fundamental é tentar cumprir pequenas promessas tão importantes para pessoas da família e para mim mesma. O curioso é que essas buscas e achados para o cumprimento de minhas promessas são tão reveladores que chegam a me emocionar.

Hoje falarei de uma tia muito complicada para mim: Tia Walderez. Talvez algumas pessoas tenham noção do quanto isso é motivo de superação e de crescimento pessoal, porém, outras nem cheguem perto. Problema de quem?

A Tia Walderez foi uma das tias que contribuiram e muito para o meu não casamento. Não há nada nisso de ofensivo, acusatório ou rancoroso nessa afirmação, ao contrário, tem de agradecimento e mais uma vez reconhecimento que parentes nos educam mais do que sonha nossa vã filosofia, certo? Uma mulher de personalidade forte e portanto dificil. Batalhadora indiscutível. E guardiã da familia com unhas e dentes.Só a idade e a maturidade nos permitem compreensões.

As mulheres, em minha familia, têm em sua maioria uma história a/c e d/c, ou seja, antes do casamento e depois do casamento. Claro que há o aspecto histórico-social nisso tudo, no entanto, para uma criança que se sentia feliz, observar tais transformações, era alerta de cuidado: Se quiser continuar assim permaneça assim falei muitas vezes para mim mesma; e assim foi feito até então.

Bom, mas vamos ao fato que gostaria de revelar.  Há uma palavra ou conceito muito atual aqui em São Paulo que toda vez que ouço lembro-me dela: barista.

O que é um barista? Um barista, segundo pesquisa  na  Associação Brasileira de Café e Barista – ACBB,  
é o profissional especializado em cafés de alta qualidade (cafés especiais), cujo principal objetivo é alcançar a "xícara perfeita". A definição vai longe mas quero me ater é esse trecho. Creio que poucas pessoas chegaram a "xícara perfeita" como tia Walderez o fazia no tempo em que frequentava sua casa. E até hoje me pergunto como podia ser? Como entre tantas tias, primos e primas ela se sobressaia tanto? Estudou a respeito? Nãe sei. Mas acredito que fosse através de um saber válido e que tão poucos dão valor  infelizmente, que é a intuição. Há algo que se passa entre o olfato, o tato e a coordenação que suplanta todos os conhecimentos e estudos academicos. Não tenho dúvida. Fazer um café de pó comum, com qualquer coador de pano com água da torneira (ok! é água de Minas e não de São Paulo que tem gosto de BHC de vez em quando) e transformá-lo em algo sempre surpreendente é fantastico, não tem preço.
Hoje talvez fosse a barista em SP e MG de maior sucesso. Isso que hoje tem nome tão chic não passava em Minas de fazer um cafezim e só. Que humildade. Aprecio esse pequenos luxos e acredito que muito do meu rigor ao tomar cafés seja por que um modelo bom da xicara perfeita da Tia Walderez.
Outra coisa: Descobri com a música que ela gostaria tanto de ouvir que é uma pessoa romântica mas não demonstrava; que curioso... Demonstrar não quer dizer deixar de ser, certo moçada?

5 comentários:

  1. Você demora a vir, mas quando vem, nossa.... vem que nem os tsunamis do japão.
    Vilma bentinãoseioque...
    Barista....
    Cafezin.... eita nóis!
    Tia Walderez... é mole??? Nossa que saudade!
    Hoje estou saudosa, muito saudosa.
    Por falar nisto, vamos marcar um encontro pro final da tarde lá no Fran´s? Aí a gente pode colocar os assuntos em dia e matar um tiquin de saudade, vamos????
    Em qual você prefere? Aqui na Bahia ou aí em SP? Vamos?

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  2. Saudades de voce. Que bom que voltou...sinal que as coisas estão melhorando.
    Deu até vontade de um cafezinho da Tia Walderez...bom demais. Lembro-me que tínhamos que ser rápidas se quisesse tomar o café da primeira rodada, mas sempre tinha a segunda ou terceira.
    Qto a tia propriamente dita, ela tem uma personalidade um tiquinho misteriosa...será que foi o casamento que a modificou tanto? Ou ela já era assim antes?
    Qdo eu era adolescente, achava-a extremamente brava e rígida. Hoje, a saúde já não a ajuda, mas aquele jeitão assustador dela continua...eu é que já não ligo mais, pois sei que ela é assim mesmo, com seus códigos de conduta e julgamentos. Se não é o mesmo que o meu, é o dela, e eu aprendi a conviver.

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  3. Saudade!
    Sempre digo que o blog me faz sentir que sou parte de algo muito importante!
    Tia Walderez......eu posso falar dela um pouquinho mais que muitos de nossa família. Eu ficava na casa dela em todas as férias. Ela e as meninas não permitiam que ficasse no hotel com minha família....algumas vezes dormia na casa da Fátima do Antonio São Paulo e ela dizia que tinha um tiquinho de ciúmes...rssss. Nunca vi Tia Walderez como uma pessoa brava....era curta e grossa no seu jeito de falar o que pensava mas comigo...me tratava como tratava aos filhos...rígida mas carinhosa...lembro de me sentar com ela na cozinha para tomar o cafezinho com sequilhos ou rosca e contar sobre a escola, sobre meus sonhos e minhas vontades e ouvir sobre as histórias dela com a mamãe, sobre a vida....Tia Walderez parecia um ganso-fêmea quando defendia seu território ou sua ninhada...gritava estridentemente e era capaz de bicadas doloridas, mas tal e qual o ganso tinha penas lindas e macias...era gostoso abraçá-la. Foi doloroso ver o quanto o sofrimento pela perda da Walkiria a abateu e o quanto ela tentou se recompor para dar seguimento à vida e força ao marido e aos 6 filhos que ainda precisavam dela. Mulher forte...de fibra....diamante bruto que nunca se preocupou com lapidação e nem precisava. Sua benção, minha tia!
    Que bom, Waninha! Muito obrigada!

    ...Ahh! Não some, não.....beijos e meus pensamentos e orações para que tudo fique bem, para todos!

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  4. Oi Minhas queridas e presentes primas,
    cabe aqui um adendo: a Tia Walferez contou essa música numa situação importante. No momento a mamãe está na fase do "parece-que-foi-isso-mas-esqueci". Assim que voltar a lembrança colocarei aqui.
    Katya, ontem respondi seu comentario marcando hora etc e tal só que sumiu. Havia uma pergunta para vc responder: pq suas pernas estão tão finas?

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  5. Olá Meninas

    Que delicia poder estar por aqui.
    Também sinto como se fosse uma gansa das mas bravas, mas eu fazia parte da ninhada, sempre fiz, apesar de ser meio inadimplente com as minhas tias e tios, sempre me senti fazendo parte da ninhada, sempre me sinto bem na presença dos meus.
    Tia Walderez cuidou de mim quando tinha por volta de 07 anos quando minha mãe passava bom tempo em SP em tratamento, cuidou de mim em meus porres na adolescência, quando não podia ir para casa, dormia lá, nos almoços de domingo quando era uma animação só, e em algumas semanas atrás quando sentei ao lado dela na cama e falei por uma hora sem parar como se estivesse falando para minha mãe ouvir, ela ouviu com a maior paciência do mundo.
    Infelizmente a saúde dela e do tio Zé não anda boa, mas como sempre devemos ver o lado bom das coisas, em nenhum momento reclamaram de algo.
    Acredito ter eu reclamado mais em minhas ESTÓRIAS.
    Estou muito feliz,e redundante, por estar aqui e poder ler junto com os meus. beijo Wania, Laura, Dini e Fer

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