Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.

15 de abr de 2010

Vendo as coisas por outro angulo

Estive pensando em muitas situações vividas por nos em nossa família que nos ajudaram no minimo a amadurecer.

Ontem, mamãe nos contava (para Mauricio e eu) que curiosamente a única coisa que a avó Hilda sabia fazer ao casar era dançar muito bem. Achei o máximo essa frase. E cá entre nos fiquei orgulhosa da vó Hilda.

A mamãe explicou que a bisavó Laura tinha uma irmã solteirona* (que esqueceu o nome) que não deixava ninguém fazer nada na casa e que isso deve ter contribuído para o pouco conhecimento de nossa avó sobre os afazeres domésticos no inicio de casada, pois depois não havia o que não soubesse.

Segundo minha mãe as prendas domésticas ela foi aprendendo aos poucos, inclusive a costurar. (Isso reforça minha tese de que é desnecessário saber desde pequena a cozinhar, lavar, passar, etc e tal) Quem a ajudava muito era a bisavó Melica, sua sogra e tia Sebastiana. Para aprender a costurar, por exemplo, desmanchava uma camisa cuidadosamente e ao tentar montá-la esbarrava na dificuldade da manga e lá ia ela atrás da sogra, a quem recorria para fazer isso e outras coisas.

Ser dona de casa naquela época era no minimo um exercicio de guerra; do sabão a costura tudo passava pela dona de casa. Credo! Tenho horror a saber disso.

A única coisa que vovó dava conta na boa era ser professora (tinha de ser, né?). Contou a mamãe que certa ocasião estava dando aula quando chegou um peão sobrinho dela e falou:

“O dona tia Hilda, onde estão suas filhas?”.
Vovó respondeu:

“ Ora onde é que haveria de estar? Na fazenda...”

E o peão sobrinho:

“Tão não. Encontrei agorinha as duas juntas da sua empregada caminhando em direção da casa do Seu Vencico”

(Em tempo: As filhas em questão eram a Tia Waldyra com uns 6 meses e a mamãe com quase dois anos.)

A vovó pegou seu cavalo, montou e partiu para a fazenda do Vencico. Antes de lá chegar viu as três. Parou ao lado e disse:

“Me dá a Waldyra. Agora pegue a Waldete no colo e caminhe na minha frente que eu quero ver como você vai andar”.

A fulana reclamou:

“Ela é muito pesada, dona Hilda”

“Não tem importância você descansou na vinda trazendo só a bebê. Vamos!”

Em lá chegando disse para a moça:

“Você pare aqui. Vou pegar suas coisas e nunca mais torne a pisar no terrerão.”

Achei genial a postura de nossa avó. Não perguntou nada, não deu bronca, nada. Apenas agiu com a segurança de uma mãe, certo? Nessa ação ensinou Deus e o mundo, creio eu.

Perguntei se o vovô não achava ruim o fato dela não saber fazer as coisas no começo de casada. Ela contou então que bem ou mal ela ia se ajeitando, só não conseguia matar uma galinha.

Um dia ela foi pedir para a vovô torcer o pescoço da penosa e que ele, na frente de visitas falou: "Veja se aprende logo a matar galinha, siô!" A vovo saiu da sala mordida e nunca mais pediu para que ele a ajudasse; e não primeira oportunidade que teve para matar a galinha imprimiu tanta força que arrancou a cabeça da penosa (acho que ela estava com raiva...)

Ficamos conversando um tempão até o Maurício perguntar quando ela morreu. Aí a mamãe falou: "Graças a Deus morreu antes do Libaldo morrer. Ia ser muita dor, não iria aguentar..."

Fecha a cortina!


* Sou solteirona e nem por isso saio adoidada impedindo que os outros façam alguma coisa, eu heim? To fora!


Chegou a hora de falar dos meus quatro tios queridos.

No próximo post... cenas de tio Willibaldo em minha memória.

Aguardem um tiquinho para falar sobre ele, ok?

10 comentários:

  1. Wania,
    Concordo com você qdo fala que não precisamos ser treinadas a vida toda para ser dona de casa, e atualmente o grande exemplo que temos é voce mesma. Tudo bem que não sabia que dava pra coisa e acha que não gosta, mas nada dá mais prazer a uma mulher do que organizar um cantinho da casa e saber que o mérito é seu. ( Aliás, a unica pessoa importante para saber quem foi temos que ser nós mesmas, ninguém mais se preocupa com isso).
    Minha mãe sempre conta que a Vó não fazia nem café no começo de casada. Era o Vovô quem fazia tudo. Bonitinho esses dois. Saudades

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  2. Eu também acho, Fer. Penso que a vové era uma mulher além do seu tempo; aliás, a frase "só quem ganha com o casamento é o homem" era dela. Varias vezes disse isso para mim e acredito que para Laura e para Katya também. Quanto ao fato de eu não saber ser dona de casa isso é verdade. Adoro ser dona DA casa, mas de casa é dose. Não faço questão nenhuma de aprender fazer bolo, pensar no que comer, ver como arrumar um armário... Credo!!! Prefiro ficar lendo. Obvio que nem sempre dá então vou fazer o que é necessário mas não abro mão de resmungar o tempo todo...
    Um dia eu conto minha experiencia com uma personal organizer. Adorei a vinda da Glau para nosso meio pois ela é pretica. Se puder expie o blog dela e veja como é objetiva... HeHe. E eu nem sabia que ia existir essa profissão...
    Ah! Obrigada por sua disponibilidade, viu?
    beijos nos boys

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  3. Sua avó era sabia...
    Parabens.
    Bjs

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  4. Wania,
    Descobri mais uma coisa...contei pra minha mãe sobre o post e ela disse que a Vó Hilda costurava desde os 9 anos de idade. Um dia a Vó Laura deixou as filhas sozinhas em casa e a nossa Vó pegou uma peça de tecido, cujo nome minha mãe não lembra, e fez um vestido pra Tia Filinha. Ela não gostou do efeito final na parte de cima, então encheu de babado. Qdo a Vó Laura voltou, já tinha o vestido pronto.
    bjs

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  5. Oi Olavo,
    Quanto tempo...
    vc esta correto: isso ela era demais. Como dizemos em familia: sacudida!
    bjs

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  6. Pois é Fer, como disse o Olavo: a vov´era sabida.
    Fiquei lembrando dos avisos que ela dava para as namorados de nossos tios: "Olha aqui, filha, se quiser casar tira o cavalinho da chuva que esse aí não presta". Deixava a moça e nós sem graça. Os únicos que não ficavam eram os proprios tapazes em questão, ou seja , seus filhos. Hahahahaha

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  7. Essa era nossa vó!
    Nela vejo a figura de vó, mesmo! Sempre risonha, os olhinhos espremidos de quem acabara de fazer uma arte, mas verdadeira sábia! Lembro dela falando sobre os ganhos do casamento, sim, Waninha! pelo menos algumas escutaram...rsssss
    Como dizia minha mãe...casamento bom era o dela e como eu não era ela que ficasse solteira!
    Acredito que casamento é bom quando as pessoas o fazem bom....Mas por vias das dúvidas prefiro acreditar na vovó.
    beijos

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  8. Wania,
    Argrrrrrrrrrrrr... (se é que me entende)
    Sei que agora está dormindo que nem uma lerda e eu aqui com as duas jabuticabas do meus olhos arregalada. Ô oddddeeeeooooooo!
    Bem com relação a grande "Sá Hirda" : ela era as das minhas...
    Mas para ser sincera, acho que agora eu quero casar. Estou com uma vontade enorme de ser de alguém e ter alguém.
    Acho que estou parindo o desejo de ser "esposa" no seu mais puro sentido. O que será que minha madrinha falaria? Ela sempre soube que invejei sua dedicação as crias e aos meu padrinho? Não soube?
    Meu exemplo de mulher!

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  9. Que bela avó tínhamos, acredito que ainda a temos, pois as boas pessoas não morrem jamais, ficam nas boas histórias, nos bons pensamentos, nas boas lembranças.
    Lembro-me de um pijama específico (pois tiveram vários), que a vovó fez quando fui operar o pipiu, em São José dos Campos com Dr. Natanael, era verde água de arremate verde escuro, um show.
    Procuro repassar esta delicia de sentimento aos meus aqui, que adoram saber detalhes da vovó Wilka, e conviver com a vó Anete que por sinal, costura muito bem, e faz alguns vestidos para a Geórgia, com certeza com nenhum babado ou laço, isto é, a figurinista é 100% a neta, a avó é meramente uma costureira. É ótimo.

    A propósito minha querida Dini, o que esta faltando ai para o casório?

    bjs a tdas

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