Parentes queridos parentes

O que são parentes? Como surgem? São importantes? O que nos acrescentam? É sobre essas questões que me proponho a pensar e falar mais do que qualquer coisa. Não que outras coisas não sejam importantes.

2 de set de 2009

Uma data importante para Sophia

Se há uma data importante em nossa vida é a primeira vez em que nos separamos de nossos pais. Para que?: Ir para escola!
Em nossa cabeça deve passar uma porção de coisas e, especialmente, por que devemos ficar, ali, sem eles.
Outras separações vão acontecer, afinal, faz parte do tal crescimento pessoal.
É curioso como nunca havia pensado nisso antes. Faltava amadurecimento? Talvez. É o fato de não ser mãe? Pode ser. .. Mas me recordo que ficava tentando saber de tudo sobre Aline, Arthur, Julia e Ramon...
Trabalhavámos insandecidamente e a mamãe, se não ajudava na adaptação, ajudava ficando com eles em casa. O que me permitia vê-los e observá-los. Durante muito tempo no começo de minha carreira como professora ficava pensando como devia ser dificil para os filhos e pais essa situação. Tentava a todo custo minimizar as dificuldades, mas sempre fiquei de coração apertado. Enquanto ficava inventando mil coisas para distrair as crianças pensava em quem estaria distraindo os pais. Hoje vejo e sinto que não são só os pais que sofrem, mas as madrinhas também. Principalmente se a afilhada mora longe.
Minha afilhada e sobrinha, Sophia, esta começando sua primeira semana de ir a escola e eu, não posso estar lá. Nem como tia, como irmã, como cunhada, como madrinha e muito menos como professora.
Ai deles (escola) se não os tratarem bem assim como sempre tratei meus alunos e aos seus pais. Irei lá com uma fúria jupiteriana-plutônica.
QUE SACO!

6 comentários:

  1. Uêbaaa! Waninha, falaste e disseste!
    Desejo tudo de bom para a Sophia numas das primeiras estréias na vida!
    E que tudo corra sempre muito bem, porque, pessoal, vocês têm alguma idéia do que seja fúria jupiteriana-plutônica? Nem o queiram saber!
    E vamu que vamu, hein, Prima!
    Beijão a todos, mil beijos na Sophia!
    Eloina

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  2. Realmente é um dia dificil para os pais, o primeiro dia na escola. Para os filhos, nem tanto, os meus por exemplo, nem tchau mãe falaram e foram felizes da vida pra escola, enquanto eu ficava no portão com cara de "ué" ou "uai" como boa mineira.
    Mas tive a sorte de escolher uma boa escola. Hj tenho um filho saindo da faculdade e outro tentando entrar...essa acho que é uma fase ainda pior, pois é o filho saindo do ninho... de qquer forma essas fases são importantes para os filhos, sobrinhos e afilhados e a nós pais e padrinhos nos resta vê-los crescendo bem, se tornando pessoas independentes e de bem.

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  3. Eu já senti esta dor. Como dói!
    Ficar atrás do muro com o coração na mão e o olho esticado para dentro da escola por vários dias...
    E agora não demora chegar a dor de ver as asas sendo usadas para voar outros voos.
    Não quero pensar nisto agora.

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  4. PARA QUEM É PAI/MÃE E PARA AQUELES QUE O SERÃO...

    OU MESMO PARA AQUELES NÃO SERÃO PAIS FISICOS, MAIS PAIS DE CORAÇÃO.

    Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos.
    É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida.

    Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.

    Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

    Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?
    Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de
    aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do Maternal?

    A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça!

    Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos. Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros.

    Ali estamos, com os cabelos esbranquiçados.
    Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas,das notícias, e da ditadura das horas.

    E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam.

    Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
    Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.

    Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.
    Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os
    adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres, agendas coloridas e discos ensurdecedores.

    Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao Shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado.
    Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.

    No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos.

    Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era
    impossível deixar a turma e os primeiros namorados.

    Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes".

    Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade.

    E que a conquistem do modo mais completo possível.
    O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.
    Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho.

    Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso é necessário fazer
    alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.

    "Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós..."

    (Affonso Romano de Sant'Anna)

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  5. OI Wander, esse texto já serviu muito para mim como reflexão particupar e também no colégio com os pais de nossos alunos. Ele é muito profundo e verdadeiro em suas colocações...
    E, hoje percebi o quanto isso é verdadeiro em nossas proprias vidas. Hoje é o meu aniversário e, como de costume alimentado desde o nascimento de nosso primeiro filho, temos o costume de acordar o aniversariante com um alegre PARABÉNS PRA VOCÊ como nos deitarmos por maravilhosos momentos, curtindo e nos deliciando de nossa convivência, carinho e amor. Todos os anos isso se repetiu em todos os aniversários de nossa família.
    Hoje, por mais que Jorge tivesse se esforçado em preencher esse espaço, foi dificil administrar o meu sentimento, de ninho vazio. Pois sim, ninho vazio,Weber, Rai, MYle e Tiago, não estavam "pessoalmente" me acordando e cantando o Parabéns... foi duro. Mas, a certeza de tê-los com filhos amados me deixa "sobreviver" a essa "perda". Agradeço muito ao meu marido, que sabendo de tudo isso, faz de tudo para completar esse vazio. Agradeço principalmente aos meus filhos que mesmo na ausência se fazem presentes em minha vida.
    E, a vocês família, obrigado por tudo!!!
    beijos

    E.T. - Ly, Luis e Wania. Aproveitem bem essa gostusora que é a Sophia. Curtem bem todas as suas fases, pois, rapidamente passa e quando a gente nem espera já está partindo para a sua propria vida... Mas, o que mais importa é que com o amor e dedicação que depositamos no crescimento e na educação de nossos filhos, fazem com que eles consigam atingir a felicidade. beijos

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  6. Quero ver a figura de mochila! ;) Coisa mais linda da prima!

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